Os pronomes possessivos no português dependerão da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o número concordam com o objeto possuído. Por exemplo:
Eu usei a minha escova de dentes
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Pessoa do singular |
Pronome Possessivo |
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Eu |
Meu, Meus / Minha, Minhas |
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Tu |
Teu, Teus / Tua, Tuas |
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Você |
Seu, Seus / Sua, Suas |
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Ele / Ela |
Seu, Seus / Sua, Suas Dele / Dela* |
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Pessoa do plural |
Pronome Possessivo |
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Nós |
Nosso, Nossos / Nossa, Nossas |
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Vós |
Vosso, Vossos / Vossa, Vossas |
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Vocês |
Seu, Seus / Sua, Suas / De vocês* |
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Eles / Elas |
Seu, Seus / Sua, Suas Deles / Delas* |
↦↦ O uso de artigos
definidos anteriores aos pronomes
possessivos é opcional. Ficando à critério de quem escreve. Muitas vezes se utiliza
para dar ênfase ao objeto possuído.
Veja alguns exemplos:
- Minha irmã é muito preguiçosa. // A Minha irmã é muito preguiçosa.
- O balconista não entendeu minha pergunta. // O balconista não entendeu a minha pergunta.
- Meu pai é piloto. // O meu pai é piloto.
↦Em alguns casos, é possível que os pronomes pessoais oblíquos tenham um valor igual aos pronomes possessivos.
Veja alguns exemplos:
- O sol banhou-te a pele. (O sol banhou a sua pele)
- Peguei-lhe o braço. (Peguei o seu braço)
↦ Seu João
O termo “seu” não é um pronome possessivo. Ele é uma alternativa fonética para o termo “senhor”. Utilizado como forma de tratamento e muitas vezes de afeto. A variante feminina seria “dona”
↦O pronome possessivo pode exercer outras funções que não
sejam de posse:
Vejamos alguns exemplos:
- Oi, meu querido,
como está? (carinho)
- Pode deixar, minha senhora, que
eu resolvo tudo. (respeito)
- Acho que aquele castelo tem seus 100 anos.
(cálculo aproximado)
- Olha aqui, seu miserável,
não fuja! (ofensa)
- Fui à casa do seu Manoel para visitá-lo. (senhor)
Vamos Praticar
Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo.
É a primeira vez que se falam.
–
Bom dia…
–
Bom dia.
–
A senhora é do 610.
–
E o senhor do 612
–
É.
–
Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente…
–
Pois é…
–
Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo…
–
O meu quê?
–
O seu lixo.
–
Ah…
–
Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena…
–
Na verdade sou só eu.
–
Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
–
É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar…
–
Entendo.
–
A senhora também…
–
Me chame de você.
–
Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida
em seu lixo. Champignons, coisas assim…
–
É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro
sozinha, às vezes sobra…
–
A senhora… Você não tem família?
–
Tenho, mas não aqui.
–
No Espírito Santo.
–
Como é que você sabe?
–
Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
–
É. Mamãe escreve todas as semanas.
–
Ela é professora?
–
Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
–
Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
–
O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
–
Pois é…
–
No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
–
É.
–
Más notícias?
–
Meu pai. Morreu.
–
Sinto muito.
–
Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
–
Foi por isso que você recomeçou a fumar?
–
Como é que você sabe?
–
De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no
seu lixo.
–
É verdade. Mas consegui parar outra vez.
–
Eu, graças a Deus, nunca fumei.
–
Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo…
–
Tranquilizantes. Foi uma fase. Já passou.
–
Você brigou com o namorado, certo?
–
Isso você também descobriu no lixo?
–
Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço
de papel.
–
É, chorei bastante, mas já passou.
–
Mas hoje ainda tem uns lencinhos…
–
É que eu estou com um pouco de coriza.
–
Ah.
–
Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
–
É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
–
Namorada?
–
Não.
–
Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
–
Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
–
Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela
volte.
–
Você já está analisando o meu lixo!
–
Não posso negar que o seu lixo me interessou.
–
Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho
que foi a poesia.
–
Não! Você viu meus poemas?
–
Vi e gostei muito.
–
Mas são muito ruins!
–
Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
–
Se eu soubesse que você ia ler…
–
Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o
lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
–
Acho que não. Lixo é domínio público.
–
Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da
nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a
nossa parte mais social. Será isso?
–
Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que…
–
Ontem, no seu lixo…
–
O quê?
–
Me enganei, ou eram cascas de camarão?
–
Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
–
Eu adoro camarão.
–
Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode…
–
Jantar juntos?
–
É.
–
Não quero dar trabalho.
–
Trabalho nenhum.
–
Vai sujar a sua cozinha?
–
Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
–
No seu lixo ou no meu?

