quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Sobrenomes

 

Sobrenomes

Embora se diga que o uso de sobrenomes tenha surgido entre os chineses há cerca de 5 mil anos, criação do mitológico imperador Fuxi, a quem se atribui também a invenção da escrita, a verdade é que a prática tal como a conhecemos hoje só foi adotada entre os séculos 16 e 18.

Desde a pré-história até a Antiguidade, o homem ocidental sempre se identificava apenas pelo nome próprio. Mesmo os antigos gregos eram identificados apenas pelo nome próprio. Alguns mais proeminentes usavam como complemento uma informação geográfica ou seu local de nascimento (como Tales de Mileto) ou de filiação (como Aristides, filho de Lisímaco). É o que conhecemos hoje por sobrenomes toponímicos e patronímicos (falaremos deles mais tarde). É possível notar esse costume também entre os hebreus: José de Arimateia, Jesus de Nazaré ou Simão, filho de Jonas. Mas nesse tempo, ainda não havia o conceito de identificar um grupo familiar por várias gerações com o mesmo “sobrenome”.

A prática foi refinada na antiga Roma. Com o passar do tempo e a burocratização do Estado, além do “praenomen” (o nome próprio ou prenome), os romanos passaram a usar uma classificação por “nomes” para identificar cada indivíduo. O nome próprio vinha primeiro, depois vinha o “nomem”, que designava o clã ou tribo de origem, e, por último, o “cognomen”, que designava a família. Os romanos ilustres acrescentavam ainda um quarto nome, o chamado “agnomen”, que era usado para celebrar feitos memoráveis. Assim, Júlio César era “Caius Iulius Caesar” (prenome Caio, do clã Júlia, da família César) e seu filho adotivo e herdeiro, o imperador César Augusto adotou o agnome “Augustus”, o divino.

Quando o Império Romano se desintegrou no século 5, a utilização de nomes próprios sem identificação dos nomes de família tornou-se costume novamente. As tribos bárbaras germânicas, responsáveis pela queda de Roma, não conheciam o uso de sobrenomes. Em verdade, como os antigos gregos e hebreus eles faziam tão somente o uso de referências geográficas ou de filiação. No século 8, nos textos latinos eram comuns o uso de “sobrenomes” de filiação, tal como na Antiguidade. Assim, expressões como “Paulus filius Petri”, Paulo filho de Pedro, ou “Paulus filius quondam Petri”, Paulo filho de um tal Pedro ou de um cidadão chamado ou conhecido por Pedro.

Esse costume perdurou até os séculos 12 e 13. Nessa época, com o aumento populacional nos centros urbanos, os nomes próprios já não eram mais suficientes para distinguir as pessoas. Com o surgimento das disputas quanto ao direito de sucessão de terras e bens entre os senhores feudais, foi preciso encontrar algo que indicasse vínculo com o proprietário, para que os filhos ou parentes pudessem tomar posse da terra ou dos bens, antes que outra pessoa com o mesmo nome tentasse se passar por herdeiro. Da importância de deixar registrados todos os atos políticos, econômicos e religiosos da nobreza surgiu a necessidade de identificar com exatidão quem era quem.

No entanto, mesmo tendo sido a origem para a maioria dos sobrenomes usados hoje, na Idade Média boa parte deles nada tinha a ver com os nomes de família. Isto é, eles não eram hereditários, não eram passados de pai para filho. A primeira referência ao uso hereditário do sobrenome surgiu em Veneza, no norte italiano, no século 9, chegando depois à França e Península Ibérica no século 11 e à Inglaterra cem anos mais tarde. Mas sem uma norma definida e clara. Foi durante o século 16, já passou a ser possível reconhecer uma linhagem familiar mesmo entre aqueles que não possuíam títulos de nobreza.

A Reforma Protestante (1517) contribuiu muito para a popularização do uso de sobrenomes. A partir do ano de 1524, os pastores começaram a anotar e manter os registros de casamentos e batismos em suas Igrejas como forma de contabilizar seus fiéis. Depois do Concílio de Trento (1545-63), os católicos também passaram a fazer o mesmo. Estes primeiros registros apontavam nada mais do que simples apelidos ou alcunhas, por isso os sobrenomes indicavam geralmente características físicas, lugares de origem, as profissões ou o nome dos pais. Algo semelhante ao que faziam os gregos antigos, os hebreus e também os bárbaros germânicos. Por exemplo: Como diferenciar duas pessoas de nome próprio João que moravam na mesma cidade? Era acrescentado um “alfaiate” ao nome do João que costurava. Ou então, se já existisse um João Alfaiate, era anotado uma característica física; “pequeno” se ele fosse baixo.

Assim, o uso dos sobrenomes se tornou comum mesmo entre as camadas mais baixas da população e não mais exclusividade da nobreza ou da burguesia. Um pouco mais tarde, entre o final do século 17 e o início do século 19, eles se tornaram hereditários e permanentemente fixos a uma família. Para qualquer fim, fosse civil ou religioso, o homem comum poderia então comprovar por meio de documentos o pertencimento a uma determinada família. É por isso que a maioria das pessoas hoje consegue rastrear, com relativa facilidade, raízes familiares até a Guerra dos Trinta Anos (1618-48). Alguns, com um pouco mais de dificuldade, conseguem fazer isso até a época da Reforma ou mesmo antes. Mas a popularização do costume de usar sobrenomes não padronizou as formas de usá-lo. Cada país adotou uma maneira diferente de transmitir para geração futura o nome da família. Entre os alemães, por exemplo, o sobrenome paterno era mantido em evidência, enquanto na Península Ibérica o sobrenome do pai era privilégio dos primogênitos e às mulheres cabia, quando muito, receber nomes santos. Dentro da cultura ocidental existem formas variadas de apresentar os nomes. Na maioria dos países, o nome próprio precede o sobrenome. Já nas culturas africana e oriental é comum o sobrenome preceder o prenome na ordem do nome. Nos países de língua inglesa, França e Alemanha, pelo menos entre os protestantes é comum a mulher usar apenas o sobrenome do marido depois de casada e os filhos receberem somente o sobrenome paterno. Nos países da Península Ibérica e na América luso-hispânica, de forma geral, não sendo uma regra seguida à risca, o costume é que a mulher receba o nome do marido e mantenha o de um dos genitores (o pai, quase sempre) ou mesmo o dos dois. Na sequência, os filhos do casal recebem os dois sobrenomes (do pai e da mãe). Sendo filha, ela irá perder o materno ao casar-se, em detrimento ao do esposo. É um costume muito usado no Brasil, embora nas últimas décadas isso também tenha se modificado, com muitas possibilidades, como o uso do sobrenome da mulher pelo marido. Historicamente, no entanto, entre os portugueses e os brasileiros do período colonial não era comum que a filha mulher recebesse o nome do pai. E nem os filhos homens mais novos. Em Portugal, durante os tempos da monarquia e pré-Revolução Francesa, os filhos do sexo feminino recebiam o sobrenome materno ou alguma alcunha religiosa, como dos Anjos, Assunção, etc. Os filhos não primogênitos, por sua vez, recebiam sobrenomes de outros membros da família, muitas vezes o sobrenome do avô paterno. Quase sempre, somente o filho mais velho levava a frente o sobrenome paterno assim como o título de nobreza, se fosse o caso.

Conheça os três sobrenomes mais comuns em alguns países do mundo

Alemanha – Müller, Schmidt, Schneider

Argentina – González, Rodriguez, Gómez

Canadá – Li, Smith, Lam

China – Wang, Li, Zhang

EUA – Smith, Johnson, Williams

França – Martin, Bernard, Dubois

Inglaterra – Smith, Jones, Taylor

Itália – Rossi, Russo, Ferrari

Japão – Sato, Suzuki, Takahashi

Portugal – Silva, Santos, Ferreira

Países árabes – Ali, Ahmedi, Ahmad

Alguns sobrenomes mais comuns do Brasil

 

1 — Silva

Mais de 5 milhões de brasileiros possuem o sobrenome “Silva”, que também é o mais comum em Portugal. Derivado do latim, significa “selva”, ou floresta. A tese mais aceita é a de que o sobrenome teve origem no século 11, na Torre e Honra de Silva, o solar de uma família de nobres do Reino de Leão, uma das antigas monarquias ibéricas. No Brasil, o sobrenome foi difundido ao ser adotado por escravos e crianças filhas de pais incógnitos. Também foi usado por imigrantes que chegavam ao país e queriam começar uma nova vida, sem vínculos com o passado na Europa.

 

2 — Santos

Aproximadamente 4 milhões de brasileiros têm o sobrenome “Santos”, sem contar a variação “dos Santos”, que soma mais de 706 mil pessoas. De origem cristã, deriva da palavra latina “sanctus”, que significa “santo”. Durante a era medieval, era o sobrenome dado aos nobres ibéricos que nasciam no dia primeiro de novembro, o Dia de Todos os Santos. No Brasil, foi atribuído aos portugueses que se estabeleciam na província da “Bahia de Todos os Santos”, mas também foi adotado pelos escravos que ali residiam após a abolição da escravatura, em 1888.

 

3 — Oliveira

Presente na certidão de mais de 3,8 milhões de brasileiros, o sobrenome faz referência à arvore da azeitona. “Oliveira” surgiu como uma alcunha, para designar aqueles que possuíam plantações do fruto. O primeiro a possuir esse nome, provavelmente no século 13, foi Pedro Oliveira, um homem muito rico de Évora, em Portugal, cidade conhecida pela diversidade de olivais. O sobrenome se tornou conhecido no Brasil graças à chegada dos imigrantes, com maior concentração na região Nordeste.

 

4 — Souza

“Souza” é o 4º sobrenome mais comum no país, presente na certidão de cerca de 2,6 milhões de brasileiros, enquanto “Sousa” reúne cerca de 830 mil pessoas. A origem dos dois é a mesma: derivam da palavra “saxa”, em latim, que significa “rocha”. Foi usado, inicialmente, pelas famílias que habitavam a beira do rio Sousa, no norte de Portugal. Segundo os genealogistas, o primeiro a adotar o sobrenome foi o nobre D. Egas Gomes de Sousa, nascido em 1305. No Brasil, sofreu uma variação e passou a ser escrito com “z”.

 

5 — Rodrigues

Com origem em Portugal, Rodrigues significa o “filho de Rodrigo”, já que, antigamente, o sufixo “es” era usado para designar a filiação. Tornou-se popular no Brasil com a chegada dos imigrantes, na época das capitanias. Hoje, são mais de 2,4 milhões de “Rodrigues” no país. Em espanhol, o equivalente é “Rodriguez”, nome comum em países de colonização espanhola. No censo norte-americano, o sobrenome também aparece como um dos mais usados, confirmando o crescimento da comunidade hispânica nos EUA.

 

6 — Ferreira

O sobrenome “Ferreira” remonta ao século 11, na Península Ibérica. De origem geográfica, era usado como alcunha para designar aqueles que moravam em lugares onde existiam jazidas de ferro. Segundo relatos históricos, Rui Pires de Ferreira foi o primeiro a adotar a alcunha como sobrenome. Há indícios de que a família Ferreira veio em caravanas para o Brasil, logo após a colonização, e fixou residência no estado de Alagoas. Hoje, mais de 2,3 milhões de brasileiros possuem o sobrenome.

 

7 — Alves

Assim como “Rodrigues”, “Alves” é um sobrenome patronímico, ou seja, derivado do nome do patriarca da família. Nesse caso, é a abreviação de “Álvares”, o “filho de Álvaro”. Possui dois significados aceitos: “o que tudo vigia, cuida, protege e defende” ou “guerreiro, defensor dos elfos”. No Brasil, a família “Alves” se estabeleceu no século 18, inicialmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Pará. Hoje, cerca de 2,2 milhões de brasileiros têm esse sobrenome.

 

8 — Pereira

“Pereira” pertence ao sobrenome de aproximadamente 2,2 milhões de brasileiros. Não existe consenso sobre sua origem, mas evidências históricas remontam ao português Rodrigo Gonçalves de Pereira, que recebeu como pagamento de seus serviços uma propriedade chamada Pereira, referência à plantação de peras que existia no local. Em 1534, Francisco Pereira Coutinho veio para o Brasil, após receber uma capitania hereditária na Bahia. A partir daí, o sobrenome se espalhou pelo país.

 

9 — Lima

De origem geográfica, “Lima” era usado para designar as comunidades que viviam à beira do Rio Lima, que nasce na Espanha e deságua ao Norte de Portugal. O primeiro a adotar o sobrenome foi Dom João Fernandes de Lima, conselheiro do Reino e patriarca de uma das principais famílias de Portugal, no século 15. No Brasil, os “Lima” se estabeleceram, inicialmente, no Paraná. Hoje, mais de 2 milhões de brasileiros possuem o sobrenome em seus registros.

 

10 — Gomes

Esse é outro exemplo de sobrenome patronímico, uma forma de criação de sobrenomes durante a Idade Média, que indicava a origem paterna da pessoa. “Gomes” significa “filho de Gomo”, nome abreviado de “Gomoarius” (homem de guerra). Possui as variações “Gomez” e “Gómez”, muito comuns em países hispânicos. No Brasil, os “Gomes” participaram do processo de colonização do nordeste. Hoje, cerca de 1,6 milhão de brasileiros possuem esse sobrenome.

 

11 — Ribeiro

Derivado da palavra “ripariu”, do latim, “Ribeiro” significa “rio pequeno” e era utilizado como alcunha, para designar as pessoas que viviam em regiões banhadas por rios. Dom Ramiro, último regente do reino de Leão, em Portugal, foi um dos primeiros membros da família “Ribeiro”. O nome se espalhou pelo mundo por meio das navegações portuguesas do século 16 e chegou ao Brasil com a caravana de Pedro Álvares Cabral. Hoje, mais de 1,5 milhão de brasileiros possuem esse sobrenome.

 

12 — Martins

Assim como em Portugal, “Martins” é um sobrenome muito comum no Brasil. De origem espanhola, deriva de “Martim” ou “Martino”, nome que vem do latim e significa “homem marcial, belicoso, guerreiro”. Em alguns livros, “Martim” também é apontado como diminutivo de “Marte”, o deus da guerra. No Brasil, a família “Martins” chegou logo após o início da colonização. Hoje, cerca de 1,5 milhão de brasileiros possuem o sobrenome em seus registros.


A origem dos 50 sobrenomes mais comuns do Brasil 

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Site mostra a origem do seu sobrenome e onde ele é popular

Através de um site você pode ver o número de pessoas que partilham do mesmo sobrenome que o seu 

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Vídeos:

ORIGEM DOS SOBRENOMES MAIS COMUNS NO BRASIL


10 sobrenomes mais populares no Brasil






Fonte:

https://super.abril.com.br/especiais/a-origem-dos-50-sobrenomes-mais-comuns-do-brasil/ 

https://forebears.io/pt/surnames

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/a-origem-dos-15-sobrenomes-brasileiros-mais-populares/

https://www.revistabula.com/25839-a-origem-dos-12-sobrenomes-mais-comuns-do-brasil/


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