Embora se diga que o uso de
sobrenomes tenha surgido entre os chineses há cerca de 5 mil anos, criação do
mitológico imperador Fuxi, a quem se atribui também a invenção da escrita, a
verdade é que a prática tal como a conhecemos hoje só foi adotada entre os
séculos 16 e 18.
Desde a pré-história até a
Antiguidade, o homem ocidental sempre se identificava apenas pelo nome próprio.
Mesmo os antigos gregos eram identificados apenas pelo nome próprio. Alguns
mais proeminentes usavam como complemento uma informação geográfica ou seu
local de nascimento (como Tales de Mileto) ou de filiação (como Aristides,
filho de Lisímaco). É o que conhecemos hoje por sobrenomes toponímicos e
patronímicos (falaremos deles mais tarde). É possível notar esse costume também
entre os hebreus: José de Arimateia, Jesus de Nazaré ou Simão, filho de Jonas.
Mas nesse tempo, ainda não havia o conceito de identificar um grupo familiar
por várias gerações com o mesmo “sobrenome”.
A prática foi refinada na antiga
Roma. Com o passar do tempo e a burocratização do Estado, além do “praenomen”
(o nome próprio ou prenome), os romanos passaram a usar uma classificação por
“nomes” para identificar cada indivíduo. O nome próprio vinha primeiro, depois
vinha o “nomem”, que designava o clã ou tribo de origem, e, por último, o
“cognomen”, que designava a família. Os romanos ilustres acrescentavam ainda um
quarto nome, o chamado “agnomen”, que era usado para celebrar feitos
memoráveis. Assim, Júlio César era “Caius Iulius Caesar” (prenome Caio, do clã
Júlia, da família César) e seu filho adotivo e herdeiro, o imperador César
Augusto adotou o agnome “Augustus”, o divino.
Quando o Império Romano se
desintegrou no século 5, a utilização de nomes próprios sem identificação dos
nomes de família tornou-se costume novamente. As tribos bárbaras germânicas,
responsáveis pela queda de Roma, não conheciam o uso de sobrenomes. Em verdade,
como os antigos gregos e hebreus eles faziam tão somente o uso de referências
geográficas ou de filiação. No século 8, nos textos latinos eram comuns o uso
de “sobrenomes” de filiação, tal como na Antiguidade. Assim, expressões como
“Paulus filius Petri”, Paulo filho de Pedro, ou “Paulus filius quondam Petri”,
Paulo filho de um tal Pedro ou de um cidadão chamado ou conhecido por Pedro.
Esse costume perdurou até os
séculos 12 e 13. Nessa época, com o aumento populacional nos centros urbanos,
os nomes próprios já não eram mais suficientes para distinguir as pessoas. Com
o surgimento das disputas quanto ao direito de sucessão de terras e bens entre
os senhores feudais, foi preciso encontrar algo que indicasse vínculo com o
proprietário, para que os filhos ou parentes pudessem tomar posse da terra ou
dos bens, antes que outra pessoa com o mesmo nome tentasse se passar por
herdeiro. Da importância de deixar registrados todos os atos políticos,
econômicos e religiosos da nobreza surgiu a necessidade de identificar com
exatidão quem era quem.
No entanto, mesmo tendo sido a
origem para a maioria dos sobrenomes usados hoje, na Idade Média boa parte
deles nada tinha a ver com os nomes de família. Isto é, eles não eram
hereditários, não eram passados de pai para filho. A primeira referência ao uso
hereditário do sobrenome surgiu em Veneza, no norte italiano, no século 9,
chegando depois à França e Península Ibérica no século 11 e à Inglaterra cem
anos mais tarde. Mas sem uma norma definida e clara. Foi durante o século 16,
já passou a ser possível reconhecer uma linhagem familiar mesmo entre aqueles
que não possuíam títulos de nobreza.
A Reforma Protestante (1517)
contribuiu muito para a popularização do uso de sobrenomes. A partir do ano de
1524, os pastores começaram a anotar e manter os registros de casamentos e
batismos em suas Igrejas como forma de contabilizar seus fiéis. Depois do
Concílio de Trento (1545-63), os católicos também passaram a fazer o mesmo.
Estes primeiros registros apontavam nada mais do que simples apelidos ou
alcunhas, por isso os sobrenomes indicavam geralmente características físicas,
lugares de origem, as profissões ou o nome dos pais. Algo semelhante ao que
faziam os gregos antigos, os hebreus e também os bárbaros germânicos. Por
exemplo: Como diferenciar duas pessoas de nome próprio João que moravam na
mesma cidade? Era acrescentado um “alfaiate” ao nome do João que costurava. Ou
então, se já existisse um João Alfaiate, era anotado uma característica física;
“pequeno” se ele fosse baixo.
Assim, o uso dos sobrenomes se
tornou comum mesmo entre as camadas mais baixas da população e não mais
exclusividade da nobreza ou da burguesia. Um pouco mais tarde, entre o final do
século 17 e o início do século 19, eles se tornaram hereditários e
permanentemente fixos a uma família. Para qualquer fim, fosse civil ou
religioso, o homem comum poderia então comprovar por meio de documentos o
pertencimento a uma determinada família. É por isso que a maioria das pessoas
hoje consegue rastrear, com relativa facilidade, raízes familiares até a Guerra
dos Trinta Anos (1618-48). Alguns, com um pouco mais de dificuldade, conseguem
fazer isso até a época da Reforma ou mesmo antes. Mas a popularização do
costume de usar sobrenomes não padronizou as formas de usá-lo. Cada país adotou
uma maneira diferente de transmitir para geração futura o nome da família.
Entre os alemães, por exemplo, o sobrenome paterno era mantido em evidência,
enquanto na Península Ibérica o sobrenome do pai era privilégio dos
primogênitos e às mulheres cabia, quando muito, receber nomes santos. Dentro da
cultura ocidental existem formas variadas de apresentar os nomes. Na maioria
dos países, o nome próprio precede o sobrenome. Já nas culturas africana e
oriental é comum o sobrenome preceder o prenome na ordem do nome. Nos países de
língua inglesa, França e Alemanha, pelo menos entre os protestantes é comum a
mulher usar apenas o sobrenome do marido depois de casada e os filhos receberem
somente o sobrenome paterno. Nos países da Península Ibérica e na América
luso-hispânica, de forma geral, não sendo uma regra seguida à risca, o costume
é que a mulher receba o nome do marido e mantenha o de um dos genitores (o pai,
quase sempre) ou mesmo o dos dois. Na sequência, os filhos do casal recebem os
dois sobrenomes (do pai e da mãe). Sendo filha, ela irá perder o materno ao casar-se,
em detrimento ao do esposo. É um costume muito usado no Brasil, embora nas
últimas décadas isso também tenha se modificado, com muitas possibilidades,
como o uso do sobrenome da mulher pelo marido. Historicamente, no entanto,
entre os portugueses e os brasileiros do período colonial não era comum que a
filha mulher recebesse o nome do pai. E nem os filhos homens mais novos. Em
Portugal, durante os tempos da monarquia e pré-Revolução Francesa, os filhos do
sexo feminino recebiam o sobrenome materno ou alguma alcunha religiosa, como
dos Anjos, Assunção, etc. Os filhos não primogênitos, por sua vez, recebiam
sobrenomes de outros membros da família, muitas vezes o sobrenome do avô
paterno. Quase sempre, somente o filho mais velho levava a frente o sobrenome
paterno assim como o título de nobreza, se fosse o caso.
Conheça os três sobrenomes mais comuns
em alguns países do mundo
Alemanha
– Müller, Schmidt, Schneider
Argentina – González, Rodriguez, Gómez
Canadá – Li, Smith, Lam
China – Wang, Li, Zhang
EUA
– Smith, Johnson, Williams
França
– Martin, Bernard, Dubois
Inglaterra
– Smith, Jones, Taylor
Itália
– Rossi, Russo, Ferrari
Japão
– Sato, Suzuki, Takahashi
Portugal
– Silva, Santos, Ferreira
Países árabes
– Ali, Ahmedi, Ahmad
Alguns sobrenomes mais comuns do
Brasil
1 — Silva
Mais de 5 milhões de brasileiros
possuem o sobrenome “Silva”, que também é o mais comum em Portugal. Derivado do
latim, significa “selva”, ou floresta. A tese mais aceita é a de que o
sobrenome teve origem no século 11, na Torre e Honra de Silva, o solar de uma
família de nobres do Reino de Leão, uma das antigas monarquias ibéricas. No
Brasil, o sobrenome foi difundido ao ser adotado por escravos e crianças filhas
de pais incógnitos. Também foi usado por imigrantes que chegavam ao país e
queriam começar uma nova vida, sem vínculos com o passado na Europa.
2 — Santos
Aproximadamente 4 milhões de
brasileiros têm o sobrenome “Santos”, sem contar a variação “dos Santos”, que
soma mais de 706 mil pessoas. De origem cristã, deriva da palavra latina
“sanctus”, que significa “santo”. Durante a era medieval, era o sobrenome dado
aos nobres ibéricos que nasciam no dia primeiro de novembro, o Dia de Todos os
Santos. No Brasil, foi atribuído aos portugueses que se estabeleciam na
província da “Bahia de Todos os Santos”, mas também foi adotado pelos escravos
que ali residiam após a abolição da escravatura, em 1888.
3 — Oliveira
Presente na certidão de mais de
3,8 milhões de brasileiros, o sobrenome faz referência à arvore da azeitona.
“Oliveira” surgiu como uma alcunha, para designar aqueles que possuíam
plantações do fruto. O primeiro a possuir esse nome, provavelmente no século
13, foi Pedro Oliveira, um homem muito rico de Évora, em Portugal, cidade
conhecida pela diversidade de olivais. O sobrenome se tornou conhecido no
Brasil graças à chegada dos imigrantes, com maior concentração na região
Nordeste.
4 — Souza
“Souza” é o 4º sobrenome mais
comum no país, presente na certidão de cerca de 2,6 milhões de brasileiros,
enquanto “Sousa” reúne cerca de 830 mil pessoas. A origem dos dois é a mesma:
derivam da palavra “saxa”, em latim, que significa “rocha”. Foi usado,
inicialmente, pelas famílias que habitavam a beira do rio Sousa, no norte de
Portugal. Segundo os genealogistas, o primeiro a adotar o sobrenome foi o nobre
D. Egas Gomes de Sousa, nascido em 1305. No Brasil, sofreu uma variação e
passou a ser escrito com “z”.
5 — Rodrigues
Com origem em Portugal, Rodrigues
significa o “filho de Rodrigo”, já que, antigamente, o sufixo “es” era usado
para designar a filiação. Tornou-se popular no Brasil com a chegada dos
imigrantes, na época das capitanias. Hoje, são mais de 2,4 milhões de
“Rodrigues” no país. Em espanhol, o equivalente é “Rodriguez”, nome comum em
países de colonização espanhola. No censo norte-americano, o sobrenome também
aparece como um dos mais usados, confirmando o crescimento da comunidade
hispânica nos EUA.
6 — Ferreira
O sobrenome “Ferreira” remonta ao
século 11, na Península Ibérica. De origem geográfica, era usado como alcunha
para designar aqueles que moravam em lugares onde existiam jazidas de ferro.
Segundo relatos históricos, Rui Pires de Ferreira foi o primeiro a adotar a
alcunha como sobrenome. Há indícios de que a família Ferreira veio em caravanas
para o Brasil, logo após a colonização, e fixou residência no estado de
Alagoas. Hoje, mais de 2,3 milhões de brasileiros possuem o sobrenome.
7 — Alves
Assim como “Rodrigues”, “Alves” é
um sobrenome patronímico, ou seja, derivado do nome do patriarca da família.
Nesse caso, é a abreviação de “Álvares”, o “filho de Álvaro”. Possui dois
significados aceitos: “o que tudo vigia, cuida, protege e defende” ou
“guerreiro, defensor dos elfos”. No Brasil, a família “Alves” se estabeleceu no
século 18, inicialmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro
e Pará. Hoje, cerca de 2,2 milhões de brasileiros têm esse sobrenome.
8 — Pereira
“Pereira” pertence ao sobrenome
de aproximadamente 2,2 milhões de brasileiros. Não existe consenso sobre sua
origem, mas evidências históricas remontam ao português Rodrigo Gonçalves de
Pereira, que recebeu como pagamento de seus serviços uma propriedade chamada
Pereira, referência à plantação de peras que existia no local. Em 1534,
Francisco Pereira Coutinho veio para o Brasil, após receber uma capitania
hereditária na Bahia. A partir daí, o sobrenome se espalhou pelo país.
9 — Lima
De origem geográfica, “Lima” era
usado para designar as comunidades que viviam à beira do Rio Lima, que nasce na
Espanha e deságua ao Norte de Portugal. O primeiro a adotar o sobrenome foi Dom
João Fernandes de Lima, conselheiro do Reino e patriarca de uma das principais
famílias de Portugal, no século 15. No Brasil, os “Lima” se estabeleceram,
inicialmente, no Paraná. Hoje, mais de 2 milhões de brasileiros possuem o
sobrenome em seus registros.
10 — Gomes
Esse é outro exemplo de sobrenome
patronímico, uma forma de criação de sobrenomes durante a Idade Média, que
indicava a origem paterna da pessoa. “Gomes” significa “filho de Gomo”, nome
abreviado de “Gomoarius” (homem de guerra). Possui as variações “Gomez” e
“Gómez”, muito comuns em países hispânicos. No Brasil, os “Gomes” participaram
do processo de colonização do nordeste. Hoje, cerca de 1,6 milhão de
brasileiros possuem esse sobrenome.
11 — Ribeiro
Derivado da palavra “ripariu”, do
latim, “Ribeiro” significa “rio pequeno” e era utilizado como alcunha, para
designar as pessoas que viviam em regiões banhadas por rios. Dom Ramiro, último
regente do reino de Leão, em Portugal, foi um dos primeiros membros da família
“Ribeiro”. O nome se espalhou pelo mundo por meio das navegações portuguesas do
século 16 e chegou ao Brasil com a caravana de Pedro Álvares Cabral. Hoje, mais
de 1,5 milhão de brasileiros possuem esse sobrenome.
12 — Martins
Assim como em Portugal, “Martins”
é um sobrenome muito comum no Brasil. De origem espanhola, deriva de “Martim”
ou “Martino”, nome que vem do latim e significa “homem marcial, belicoso,
guerreiro”. Em alguns livros, “Martim” também é apontado como diminutivo de
“Marte”, o deus da guerra. No Brasil, a família “Martins” chegou logo após o
início da colonização. Hoje, cerca de 1,5 milhão de brasileiros possuem o
sobrenome em seus registros.
O Festival Folclórico de Parintins é uma festa popular que
acontece todos os anos no município brasileiro de Parintins, no interior do
estado do Amazonas. O festival é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil
pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
As apresentações, que começam na última sexta-feira do mês
de junho e vão até o domingo, simbolizam uma disputa a céu aberto entre duas
agremiações folclóricas, a do Boi Garantido (vermelho) e a do Boi Caprichoso
(azul), que acontece no Centro Cultural de Parintins – mais conhecido como
Bumbódromo, tem capacidade para 35 mil espectadores.
São milhares de turistas do Brasil e do mundo que acompanham
as toadas dos bois Garantido e Caprichoso. Na época do festival, a população de
Parintins, de 115 mil habitantes, chega a quase dobrar. Segundo a prefeitura do
município, cerca de 80 mil turistas visitam a cidade durante o festival.
O Festival Folclórico foi responsável pela divulgação de
algumas músicas que ficaram famosas, como os hits Tic, Tic, Tac (1993),
Vermelho (1996), Saga de Um Canoeiro (1995), Parintins Para o Mundo Ver (1997),
Lamento de Raça (1996), Ritmo Quente (1997), entre outras.
História
A história dos bois de Parintins remete ao início do século
XX, ainda que estes na época fossem grupos muito menores e menos estruturados,
além de não possuírem qualquer registro formal. Antes da existência do
festival, os bois Garantido e Caprichoso já alimentavam certa rivalidade entre
si. No entanto, já existiam outros bois, precedentes ou contemporâneos a esses
dois, tais como Diamantino, Ramalhete, Fita Verde, Corre-Campo, Mina de Ouro,
Galante e Campineiro.
Oficialização do festival
Em 1965 aconteceu o primeiro Festival Folclórico de
Parintins, criado por um grupo de amigos ligados à Juventude Alegre Católica
(JAC), entre os quais Xisto Pereira, Jansen Rodrigues Godinho, Lucinor Barros e
Raimundo Muniz, então presidente da entidade, além do padre Augusto, com o
objetivo de arrecadar fundos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do
Carmo, padroeira de Parintins. No primeiro ano, vinte e duas quadrilhas se apresentaram,
sem a presença dos bois Caprichoso e Garantido.
Em 1966 os bois-bumbá foram convidados a participar do
festival, e pela primeira vez ambos participaram juntos do festival. Nessa
época, o critério estabelecido para definir o campeão foi o boi mais aplaudido
pelos presentes. A partir de então, houve o acirramento da rivalidade entre os
bois Garantido e Caprichoso.
No ano de 1975, a organização do Festival foi assumida pela
Prefeitura de Parintins, mudando o local para o Centro Comunitário Esportivo.
Com o tempo, o festival ganhou relevância nacional, passando
a ser objeto de atenção da mídia e considerado atração turística de Parintins.
Após a transmissão em rede de televisão nacional, profissionais que trabalhavam
na festa passaram a ser contratados a partir da década de 2000 para trabalhar
nos carnavais de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo.
Patrimônio Cultural do Brasil
Em 8 de novembro de 2018, o Complexo Cultural do Boi-Bumbá
do Médio Amazonas e Parintins foi reconhecido como Patrimônio Cultural do
Brasil na reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que aconteceu
em Belém do Pará.
“Concluímos finalmente que, acervos como o Complexo Cultural
do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins, por se constituírem em importante
foco de resistência da cultura legitimamente nacional, não só tem relevância
para o estado do Amazonas e para o país, mas se revestem de um valor universal
como lição de liberdade e humanidade. E ratificando os demais pareceres
constantes do processo, somos de parecer favorável à sua inscrição, no Livro de
Registro das Celebrações, como Patrimônio Cultural do Brasil.”
— Luiz Phelipe de Carvalho Castro Andrês, Conselheiro do
Conselho Consultivo do IPHAN.
Os modos de brincar o Boi são diferentes dependendo da
região do país. Em cada contexto há variações e denominações próprias, além de
ocorrer em distintas épocas do ano. Seja qual for a vertente, o folguedo se
estabeleceu de forma marcante na região amazônica e, a cada apresentação, faz o
coração dos brincantes e de quem assiste pulsar mais forte. Nessa região, ele
ocorre com mais frequência durante os festejos juninos dos santos católicos:
Santo Antônio, São João e São Pedro.
Em 1982, o Caprichoso, em protesto por ter demorado a
receber as verbas públicas (que o boi Garantido havia recebido da Prefeitura
com bastante antecedência), decidiu não disputar o festival, alegando que a
disputa seria injusta, dado o tempo restado para confecção de um boi que
pudesse competir à altura. A prefeitura, para manter a disputa, convidou o boi
Campineiro que, por não ter condições de disputa, recebeu o vice-campeonato
simbólico naquele ano. Assim, o Boi Garantido consagrou-se pentacampeão (1980,
1981, 1982, 1983 e 1984).
Até 2005, o evento era realizado sempre nos dias 28, 29 e 30
de junho. Uma lei municipal mudou a data para o último fim de semana de junho.
Em 2017, os julgadores do festival sugeriram que este fosse
ampliado e outros bois-bumbá pudessem ser incluídos na competição, com a
criação de uma liga dos bois-bumbá.
Em 2022 o festival volta a ser realizado pelos moldes
tradicionais e com a presença de público após dois anos sem poder ser realizado
por conta da Pandemia de COVID-19.
Componentes do festival
O festival possui um total de 21 quesitos (itens), sendo que
a maioria não possui ordem predeterminada de apresentação. As exceções são os
três primeiros (apresentador, levantador de toadas e marujada ou batucada),
além do último (encenação).
Os quesitos são: apresentador; levantador de toadas;
marujada e batucada; ritual; porta-estandarte; amo do boi; sinhazinha da
fazenda; rainha do folclore; cunhã poranga; boi bumbá (evolução); toada (letra
e música); pajé; tribos indígenas; tuxauas; figuras típicas regionais;
alegorias; lenda amazônica; vaqueirada; galera; coreografia, organização do
conjunto folclórico.
Música
A música, que acompanha durante todo o tempo, é a toada acompanhada
por um grupo de mais de 400 ritmistas.
Os dois Bois dançam e cantam por um período de duas horas e
meia, com ordem de entrada na arena alternada em cada dia. As letras das
canções resgatam o passado de mitos e lendas da floresta amazônica. Muitas das
toadas incluem também sons da floresta e canto de pássaros.
Ritual
O ritual é o momento máximo da noite. Geralmente, acontece
na parte final das apresentações e faz referências a mitos, lendas, tradições
ou rituais tipicamente indígenas. E o Ritual geralmente trazem o Pajé tanto no
Boi Caprichoso quanto no Boi Garantido e as vezes a Cunhã-Poranga.
Auto do Boi
O auto do boi mostra o motivo pelo qual surgiu o Festival,
com a história de Pai Francisco e Mãe Catirina. Catirina queria a língua do
Boi, pois estava grávida. Pai Francisco foi atrás da língua do boi mais bonito
da fazenda. Conseguiu e o matou. O Amo do Boi, dono da fazenda, quando soube
ficou consternado e mandou trazer o "criminoso" para saber por qual
motivo ele fizera tal ato. O Amo mandou ainda trazer médicos para tentar reviver
o Boi, mas nada adiantou. Foi então que, com a ajuda dos índios, chegou ao
Pajé, que fez reviver o boi do patrão.
Marca o centro do espetáculo, conduzindo o tema com sua voz.
Precisa ter afinação, dicção, timbre e técnica de canto.
Levantador de toadas
Após o apresentador, o elemento seguinte é o levantador de
toadas, que precede à batucada. Todas as músicas que fazem a trilha sonora das
apresentações são interpretadas pelo levantador de toadas. Trata-se de uma
figura importante, já que a técnica, a força e a beleza de sua interpretação
não só valem pontos como ajudam a trazer à tona a emoção dos brincantes.
Amo do Boi
O Amo do Boi, com seu jeito caboclo, exalta a originalidade
e a tradição do nosso folclore, fazendo soar o berrante e tirando o verso em
grande estilo. É a chamada do Boi, que vem para bailar.
Sinhazinha da Fazenda
É a filha do dono da fazenda, representa a cultura europeia
no boi. Precisa ter graça, desenvoltura, simplicidade, alegria, gingado, saudando
o boi e o público.
Figuras Típicas Regionais e Lendas Amazônicas
Fazem aflorar os sentimentos de amor e paixão. Alegorias
gigantes se movimentam. Coreografias e fantasias originais, com luz teatral e
fogos, dão um brilho especial ao espetáculo. Ficção que retrata e ilustra a
cultura e o folclore de um povo. Imaginação, envolvimento e encenação são
importantes neste item.
Porta Estandarte
Representa o símbolo do Boi em movimento. Ela deverá ter
garra, desenvoltura, elegância, alegria e sincronia de movimentos entre o
bailado e o estandarte.
Cunhã Poranga
Representa a moça bonita, uma sacerdotisa, guerreira e
guardiã. Expressa a força através da beleza. Deve possuir desenvoltura e
incorporar a personagem
Rainha do Folclore
Representa a expressão do poder, pela manifestação popular.
Deve possuir graça, movimentos com desenvoltura, incorporação, indumentária.
Boi-Bumbá Evolução
É o símbolo cultural da manifestação popular. É a chegada do
Garantido e do Caprichoso, a estrela guardiã da floresta, e o coração da festa,
É a evolução do negro da América e do boi do povão, a cênica que deve conter a
impressão de um movimento de um, boi real, soltar 'fumaça' pelo nariz que na
verdade é farinha de trigo e não é obrigatório, mas tem que levantar a galera.
Pajé
O Pajé é o senhor da cênica feitiçaria e representa a
cultura indígena na área.
Tribos Indígenas
Apresentação de um agrupamento nativo da Amazônia.
Considera-se: sincronia de movimentos, fidelidade às raízes, cores, expressões
cênicas, formas de dançar e movimentos originais.
Galera
A galera dá um show à parte. Enquanto um Boi se apresenta,
sua galera participa com todo entusiasmo. Seu desempenho também é julgado. Do
outro lado, a galera do contrário (adversário) não se manifesta, ficando no
mais absoluto silêncio. Um torcedor jamais fala o nome do outro Boi, e usa
apenas a palavra "contrário" quando quer se referir ao opositor. São proibidos
vaias, palmas, gritos ou qualquer outra demonstração de expressão quando o
adversário se apresenta.
Jurados
Os jurados, em número de 6, são sorteados na véspera do
Festival e todos vêm de estados que façam parte de outras regiões do país, que
não a Região Norte. Requisito é ser estudioso da arte, da cultura e do folclore
brasileiro.
Na cultura popular
Os bois de Parintins têm hoje reconhecimento mundial como
uma das principais festas culturais brasileiras. A festividade, que traz à
arena simbolismos regionais que representam os povos indígenas e o homem
ribeirinho nortista, se popularizou e tem atraído pessoas do mundo inteiro para
a "Ilha Tupinambarana", nome pelo qual a cidade de Parintins ficou
conhecida. De forma massificada, os bois são muito populares no Amazonas e no
Pará (principalmente a Oeste). Nessas regiões, as agremiações folclóricas
contam com grandes torcidas que criam seus consulados e formam grandes
caravanas para o festival. Os bois também são responsáveis pelo maior evento
festivo de Manaus, o Boi Manaus, onde milhares se reúnem no Sambódromo da
cidade para se divertir ao ritmo regional. A rivalidade tem ares esportivos e
se equiparada ao futebol, seria uma das maiores do país. Em Parintins, a cidade
se divide ao meio pelos dois bois e essa rivalidade se alastra para outros
municípios da região, incluindo Manaus.
As músicas dos bois são lançadas em CD e DVD, o
que gera competição para saber qual dos bois vende mais. Em muitas campanhas
políticas nas cidades da Região Norte, as músicas mais populares dos bumbás são
convertidas em jingles que transformam as campanhas eleitorais em grandes
festas nessas localidades.
Jogo
do bicho: como surgiu, como funciona e o que a lei diz sobre
Todo
mundo já ouviu falar em Jogo do Bicho, mas será que você sabe do que se trata?
Reunimos tudo que você precisa saber sobre o tema
Quem
nunca ouviu falar do jogo do bicho, vem que hoje é o seu dia de aprender e
conhecer um dos jogos mais famosos do Brasil. Bem, por mais que ele seja
bastante popular entre brasileiros, ele é um jogo ilegal. Ou seja, quem joga,
joga nas escondidas.
Por
isso, caso o governo descubra o local que colabora com tal jogo, o “bicheiro”,
ou seja, a pessoa quem cuida do jogo, será preso. De acordo com a lei, esse
tipo de aposta é uma infração penal, uma contravenção, que tem menor gravidade
que um crime. Portanto, ele é um jogo que não tem autorização da União.
Em
vista disso, o jogo não paga impostos. Além disso, a pessoa que jogar e ganhar
por exemplo, não tem garantia do seu prêmio. Logo, por ser ilegal, o ganhador
não pode recorrer às autoridades.
Ficou curioso de como funciona e como surgiu esse tal
jogo do bicho? Continue com a gente então.
História do jogo do bicho
Se você chutou que o jogo do
bicho tem alguma relação com zoológicos, acertou.
Primeiramente, seu criador,
o barão João Batista Viana Drummond, foi também o fundador do Jardim Zoológico
do Rio de Janeiro. Em 1892, com o intuito de impedir de fechar o zoológico, ele
decidiu criar um jogo para que os clientes pudessem participar e contribuir ao
mesmo tempo com o lucro do local.
Entretanto, o jogo
funcionava mais ou menos como ainda funciona hoje. Em vista disso, o cliente
comprava um ingresso, o qual vinha estampado com um dos 25 animais estampados.
Sendo assim, o cliente que tivesse saído com o bilhete do animal do sorteio
ganhava.
Portanto, a pessoa que fosse
sorteada, iria ganhar até vinte vezes o valor que pagou pelo bilhete. E com
isso, o jogo virou febre no Rio de Janeiro. Porém, três anos depois de sua
criação, em 1895, proibiram o jogo, por considerarem desde então um jogo de
azar.
Como funciona o jogo
Primeiramente, esse jogo não
tem uma centralização de poder. Ou seja, cada banca tem o seu próprio bicheiro.
Em vista disso, cada estado tem um tanto x de bicheiros, com administrações
próprias, os quais realizam os sorteios dos números e fornecem os resultados
equivalente as apostas.
Contudo, os
dois sorteios semanais da Loteria Federal são válidos para quase todas as
bancas de jogo do bicho no Brasil, substituindo somente os horários dos
sorteios locais. Enquanto, a divulgação dos resultados é feita pela internet ou
rádios.
Em seguida,
por mais que muita gente não ache a ligação do jogo do bicho com a Loteria
Federal, não é endossada e muito menos autorizada pela Caixa Econômica
Federal. Porém, os bicheiros de diversas partes do país utilizam o sorteio da
Loteria Federal por terem os mesmos princípios de sorteio do jogo do bicho.
Apostas
do Jogo do Bicho?
Primeiramente, para você
entender melhor, ao todo são 25 animais. Entretanto, cada um tem uma sequência
de 4 números, e essa sequência vai de ordem alfabética, começando então pelo
avestruz.
Em seguida, o jogador irá
escolher um dos 25 bichos. E não se esqueça, que você tem que observar além das
dezenas, pode também conter outros dois números do milhar. Para entender
melhor, a aposta pode ser feita de várias maneiras. Iremos explicar de forma
crescente cada tipo de aposta.
Os
3 tipos de apostas:
1º- Jogo de Grupo Simples: É
também o mais clássico. Esse tipo de aposta o jogador escolhe o animal, e
aposta naquele grupo do animal, por exemplo, se você escolher o macaco, você
irá torcer para o número 17. Basicamente então, esse tipo de aposta o jogador
observa primeiramente pelos dois números finais.
2º- Jogo de dezena: Essa
aposta você irá escolher dois conjuntos de dezena, assim como também em grande
maioria das vezes, se escolhe, a aposta que a dezena irá se encontrar entre os
cinco premiados.
3º- Jogo de milhar: Essa
aposta já é considerada como a mais cara. Na maioria das vezes você paga 4 mil
reais para jogar. E nessa aposta você escolhe e decide exatamente os 4 números,
e a aposta que ele vai estar entre os cinco do sorteio.
Entretanto, os maiores prêmios são de três mil vezes o valor apostato. Por exemplo: se
você aposta R$ 1,00 no milhar e se seu número for sorteado, você ganha R$ 3
mil. Enquanto o menor prêmio é 18 vezes o valor apostado, logo, se você aposta
R$ 1,00 por exemplo, você ganha R$ 18,00.
Por que é ilegal?
O jogo do bicho é proibido
pela lei brasileira número 3.688 e considerado contravenção juntamente com
jogos de azar, atividade de cassino e exploração não autorizada de loteria.
Desde o anúncio da proibição do bicho em 1941, os bicheiros, controladores dos
pontos de aposta, se organizaram e formaram uma cúpula que se relaciona por
meio de propina e financiamento de projetos e campanhas com o governo, justiça
e polícia. Essa relação, que cresceu e se tornou cada vez mais comum, é o que
permitiu que o jogo do bicho chegasse até os dias de hoje em pleno
funcionamento. Por conta disso, hoje o bicho é considerado não só contravenção,
mas crime de formação de quadrilha e corrupção. Na década de 70, o jogo do
bicho no Rio de Janeiro estava organizado praticamente como uma empresa em
expansão. E, tendo arrecadado grandes quantias de dinheiro, investiram, entre
outras coisas, na compra de escolas de samba e no controle do carnaval, por
meio da liga das escolas de samba. Além de um negócio lucrativo, o carnaval é
utilizado para "lavar" o dinheiro ilegal conseguido com o jogo por
meio de notas superfaturadas.
O
jogo retratado em livros e músicas
O jogo do bicho faz parte do
imaginário e da cultura brasileira, o jogo está presente na vida cotidiana,
assim, é algo habitual de encontrar menções dele dentro das expressões
artísticas de produções brasileiras. Como por exemplo:
“Os bichos de Vila Isabel,
mansos ou bravios, fazem ganhar dinheiro depressa, e sem trabalho, tanto como
fazem perdê-lo, igualmente depressa e sem trabalho, tudo sem trabalho, não
contando a viagem de bonde, que é longa, vária e alegre.” Assim escrevia
Machado de Assis, em 1895, em crônica no jornal A Semana. No mesmo ano, o poeta
Olavo Bilac era bem mais moralista: “Hoje, no Rio de Janeiro, o jogo é tudo.
Não há criados, porque todos os criados passam o dia a comprar bilhetes de
bichos. Não há conforto nas casas, porque as famílias gastam todo o dinheiro do
mês no elefante ou no cachorro. Ninguém trabalha! Todo o mundo joga...”.
Português é o único idioma em que se pode escrever um texto
só com palavras começando por “p”
Pedro Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava
portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar
panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir.
Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí,
pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou,
porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou
pratos para poder pagar promessas.
Pálido, porém perseverante, preferiu partir para Portugal
para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas,
preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois
pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos
pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam
precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas
para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo
passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.
Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios
pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria
percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo
precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir
pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando
profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para
Portugal. “Povo previdente!”, pensava Pedro Paulo. “Preciso partir para
Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos
portugueses”.
Passando pela principal praça parisiense, partindo para
Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos. Pintou, prostrou perante
políticos, populares, pobres, pedintes. “Paris! Paris!”, proferiu Pedro Paulo.
“Parto, porém, penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir”.
Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, papai Procópio
partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava
pedir permissão para papai Procópio para prosseguir praticando pinturas.
Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão,
penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço
proferiu: “Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas
pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Por que pintas
porcarias?”. “Papai”, proferiu Pedro Paulo, “pinto porque permitiste, porém,
preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança,
pois pretendo permanecer por Portugal”. Pegando Pedro Paulo pelo pulso,
penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois
pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando
pela ponte, precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro,
pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas,
pirarucus. Partiram pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho,
para procurar primo Péricles primeiro.
Pedro Pereira Pinto, pedreiro profissional, penava porque
preferia pintar, porém punha pedras para procurar paz pessoal.
Parabenizou por poder pausar para pegar primo Péricles.
Pernoitaram pelo Páramo paradisíaco perto, para partir para
Paraná. Pedro Pereira Pinto pediu para poder pagar peras para primo Péricles.
Fonte: internet, autor desconhecido
Esse é um texto colaborativo, assim que os convido a deixar a sua aportação seguindo a temática.
Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca
cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.
Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido
na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.
Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não
entra no tênis.
Mas o principal ponto do verão é.... A praia!
Ah, como é bela a praia.
Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer
coleção. Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias. Os
jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a prancha pra
abrir a cabeça dos banhistas.
O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo,
antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão
chegando. Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três
geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola,
balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de férias.
Em menos de cinquenta minutos, todos já estão instalados,
besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia.
E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de
desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os
adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.
As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar
o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do
chinelo.
Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a
areia pra fincar o cabo do guarda-sol. É mais fácil achar petróleo do que
conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé.
Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade,
da maravilha que é entrar no mar! Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os
cardumes de latinha de cerveja no fundo. Aquela sensação de boiar na salmoura
como um pepino em conserva.
Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a
periquita cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa. A gente abre a
esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o chapéu, os óculos
escuros e puxa um ronco bacaninha.
Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!! Mas,
claro, tudo tem seu lado bom.
E à noite o sol vai embora. Todo mundo volta pra casa
tostado e vermelho como mortadela, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia
pro próximo. O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer
coisa, desde creme de barbear até desinfetante de privada.
As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da
praia oferece. Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na
rede pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.
O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em
família. Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e
torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa se
encontrar no mesmo inferno tropical...