quarta-feira, 31 de agosto de 2022

Sobrenomes

 

Sobrenomes

Embora se diga que o uso de sobrenomes tenha surgido entre os chineses há cerca de 5 mil anos, criação do mitológico imperador Fuxi, a quem se atribui também a invenção da escrita, a verdade é que a prática tal como a conhecemos hoje só foi adotada entre os séculos 16 e 18.

Desde a pré-história até a Antiguidade, o homem ocidental sempre se identificava apenas pelo nome próprio. Mesmo os antigos gregos eram identificados apenas pelo nome próprio. Alguns mais proeminentes usavam como complemento uma informação geográfica ou seu local de nascimento (como Tales de Mileto) ou de filiação (como Aristides, filho de Lisímaco). É o que conhecemos hoje por sobrenomes toponímicos e patronímicos (falaremos deles mais tarde). É possível notar esse costume também entre os hebreus: José de Arimateia, Jesus de Nazaré ou Simão, filho de Jonas. Mas nesse tempo, ainda não havia o conceito de identificar um grupo familiar por várias gerações com o mesmo “sobrenome”.

A prática foi refinada na antiga Roma. Com o passar do tempo e a burocratização do Estado, além do “praenomen” (o nome próprio ou prenome), os romanos passaram a usar uma classificação por “nomes” para identificar cada indivíduo. O nome próprio vinha primeiro, depois vinha o “nomem”, que designava o clã ou tribo de origem, e, por último, o “cognomen”, que designava a família. Os romanos ilustres acrescentavam ainda um quarto nome, o chamado “agnomen”, que era usado para celebrar feitos memoráveis. Assim, Júlio César era “Caius Iulius Caesar” (prenome Caio, do clã Júlia, da família César) e seu filho adotivo e herdeiro, o imperador César Augusto adotou o agnome “Augustus”, o divino.

Quando o Império Romano se desintegrou no século 5, a utilização de nomes próprios sem identificação dos nomes de família tornou-se costume novamente. As tribos bárbaras germânicas, responsáveis pela queda de Roma, não conheciam o uso de sobrenomes. Em verdade, como os antigos gregos e hebreus eles faziam tão somente o uso de referências geográficas ou de filiação. No século 8, nos textos latinos eram comuns o uso de “sobrenomes” de filiação, tal como na Antiguidade. Assim, expressões como “Paulus filius Petri”, Paulo filho de Pedro, ou “Paulus filius quondam Petri”, Paulo filho de um tal Pedro ou de um cidadão chamado ou conhecido por Pedro.

Esse costume perdurou até os séculos 12 e 13. Nessa época, com o aumento populacional nos centros urbanos, os nomes próprios já não eram mais suficientes para distinguir as pessoas. Com o surgimento das disputas quanto ao direito de sucessão de terras e bens entre os senhores feudais, foi preciso encontrar algo que indicasse vínculo com o proprietário, para que os filhos ou parentes pudessem tomar posse da terra ou dos bens, antes que outra pessoa com o mesmo nome tentasse se passar por herdeiro. Da importância de deixar registrados todos os atos políticos, econômicos e religiosos da nobreza surgiu a necessidade de identificar com exatidão quem era quem.

No entanto, mesmo tendo sido a origem para a maioria dos sobrenomes usados hoje, na Idade Média boa parte deles nada tinha a ver com os nomes de família. Isto é, eles não eram hereditários, não eram passados de pai para filho. A primeira referência ao uso hereditário do sobrenome surgiu em Veneza, no norte italiano, no século 9, chegando depois à França e Península Ibérica no século 11 e à Inglaterra cem anos mais tarde. Mas sem uma norma definida e clara. Foi durante o século 16, já passou a ser possível reconhecer uma linhagem familiar mesmo entre aqueles que não possuíam títulos de nobreza.

A Reforma Protestante (1517) contribuiu muito para a popularização do uso de sobrenomes. A partir do ano de 1524, os pastores começaram a anotar e manter os registros de casamentos e batismos em suas Igrejas como forma de contabilizar seus fiéis. Depois do Concílio de Trento (1545-63), os católicos também passaram a fazer o mesmo. Estes primeiros registros apontavam nada mais do que simples apelidos ou alcunhas, por isso os sobrenomes indicavam geralmente características físicas, lugares de origem, as profissões ou o nome dos pais. Algo semelhante ao que faziam os gregos antigos, os hebreus e também os bárbaros germânicos. Por exemplo: Como diferenciar duas pessoas de nome próprio João que moravam na mesma cidade? Era acrescentado um “alfaiate” ao nome do João que costurava. Ou então, se já existisse um João Alfaiate, era anotado uma característica física; “pequeno” se ele fosse baixo.

Assim, o uso dos sobrenomes se tornou comum mesmo entre as camadas mais baixas da população e não mais exclusividade da nobreza ou da burguesia. Um pouco mais tarde, entre o final do século 17 e o início do século 19, eles se tornaram hereditários e permanentemente fixos a uma família. Para qualquer fim, fosse civil ou religioso, o homem comum poderia então comprovar por meio de documentos o pertencimento a uma determinada família. É por isso que a maioria das pessoas hoje consegue rastrear, com relativa facilidade, raízes familiares até a Guerra dos Trinta Anos (1618-48). Alguns, com um pouco mais de dificuldade, conseguem fazer isso até a época da Reforma ou mesmo antes. Mas a popularização do costume de usar sobrenomes não padronizou as formas de usá-lo. Cada país adotou uma maneira diferente de transmitir para geração futura o nome da família. Entre os alemães, por exemplo, o sobrenome paterno era mantido em evidência, enquanto na Península Ibérica o sobrenome do pai era privilégio dos primogênitos e às mulheres cabia, quando muito, receber nomes santos. Dentro da cultura ocidental existem formas variadas de apresentar os nomes. Na maioria dos países, o nome próprio precede o sobrenome. Já nas culturas africana e oriental é comum o sobrenome preceder o prenome na ordem do nome. Nos países de língua inglesa, França e Alemanha, pelo menos entre os protestantes é comum a mulher usar apenas o sobrenome do marido depois de casada e os filhos receberem somente o sobrenome paterno. Nos países da Península Ibérica e na América luso-hispânica, de forma geral, não sendo uma regra seguida à risca, o costume é que a mulher receba o nome do marido e mantenha o de um dos genitores (o pai, quase sempre) ou mesmo o dos dois. Na sequência, os filhos do casal recebem os dois sobrenomes (do pai e da mãe). Sendo filha, ela irá perder o materno ao casar-se, em detrimento ao do esposo. É um costume muito usado no Brasil, embora nas últimas décadas isso também tenha se modificado, com muitas possibilidades, como o uso do sobrenome da mulher pelo marido. Historicamente, no entanto, entre os portugueses e os brasileiros do período colonial não era comum que a filha mulher recebesse o nome do pai. E nem os filhos homens mais novos. Em Portugal, durante os tempos da monarquia e pré-Revolução Francesa, os filhos do sexo feminino recebiam o sobrenome materno ou alguma alcunha religiosa, como dos Anjos, Assunção, etc. Os filhos não primogênitos, por sua vez, recebiam sobrenomes de outros membros da família, muitas vezes o sobrenome do avô paterno. Quase sempre, somente o filho mais velho levava a frente o sobrenome paterno assim como o título de nobreza, se fosse o caso.

Conheça os três sobrenomes mais comuns em alguns países do mundo

Alemanha – Müller, Schmidt, Schneider

Argentina – González, Rodriguez, Gómez

Canadá – Li, Smith, Lam

China – Wang, Li, Zhang

EUA – Smith, Johnson, Williams

França – Martin, Bernard, Dubois

Inglaterra – Smith, Jones, Taylor

Itália – Rossi, Russo, Ferrari

Japão – Sato, Suzuki, Takahashi

Portugal – Silva, Santos, Ferreira

Países árabes – Ali, Ahmedi, Ahmad

Alguns sobrenomes mais comuns do Brasil

 

1 — Silva

Mais de 5 milhões de brasileiros possuem o sobrenome “Silva”, que também é o mais comum em Portugal. Derivado do latim, significa “selva”, ou floresta. A tese mais aceita é a de que o sobrenome teve origem no século 11, na Torre e Honra de Silva, o solar de uma família de nobres do Reino de Leão, uma das antigas monarquias ibéricas. No Brasil, o sobrenome foi difundido ao ser adotado por escravos e crianças filhas de pais incógnitos. Também foi usado por imigrantes que chegavam ao país e queriam começar uma nova vida, sem vínculos com o passado na Europa.

 

2 — Santos

Aproximadamente 4 milhões de brasileiros têm o sobrenome “Santos”, sem contar a variação “dos Santos”, que soma mais de 706 mil pessoas. De origem cristã, deriva da palavra latina “sanctus”, que significa “santo”. Durante a era medieval, era o sobrenome dado aos nobres ibéricos que nasciam no dia primeiro de novembro, o Dia de Todos os Santos. No Brasil, foi atribuído aos portugueses que se estabeleciam na província da “Bahia de Todos os Santos”, mas também foi adotado pelos escravos que ali residiam após a abolição da escravatura, em 1888.

 

3 — Oliveira

Presente na certidão de mais de 3,8 milhões de brasileiros, o sobrenome faz referência à arvore da azeitona. “Oliveira” surgiu como uma alcunha, para designar aqueles que possuíam plantações do fruto. O primeiro a possuir esse nome, provavelmente no século 13, foi Pedro Oliveira, um homem muito rico de Évora, em Portugal, cidade conhecida pela diversidade de olivais. O sobrenome se tornou conhecido no Brasil graças à chegada dos imigrantes, com maior concentração na região Nordeste.

 

4 — Souza

“Souza” é o 4º sobrenome mais comum no país, presente na certidão de cerca de 2,6 milhões de brasileiros, enquanto “Sousa” reúne cerca de 830 mil pessoas. A origem dos dois é a mesma: derivam da palavra “saxa”, em latim, que significa “rocha”. Foi usado, inicialmente, pelas famílias que habitavam a beira do rio Sousa, no norte de Portugal. Segundo os genealogistas, o primeiro a adotar o sobrenome foi o nobre D. Egas Gomes de Sousa, nascido em 1305. No Brasil, sofreu uma variação e passou a ser escrito com “z”.

 

5 — Rodrigues

Com origem em Portugal, Rodrigues significa o “filho de Rodrigo”, já que, antigamente, o sufixo “es” era usado para designar a filiação. Tornou-se popular no Brasil com a chegada dos imigrantes, na época das capitanias. Hoje, são mais de 2,4 milhões de “Rodrigues” no país. Em espanhol, o equivalente é “Rodriguez”, nome comum em países de colonização espanhola. No censo norte-americano, o sobrenome também aparece como um dos mais usados, confirmando o crescimento da comunidade hispânica nos EUA.

 

6 — Ferreira

O sobrenome “Ferreira” remonta ao século 11, na Península Ibérica. De origem geográfica, era usado como alcunha para designar aqueles que moravam em lugares onde existiam jazidas de ferro. Segundo relatos históricos, Rui Pires de Ferreira foi o primeiro a adotar a alcunha como sobrenome. Há indícios de que a família Ferreira veio em caravanas para o Brasil, logo após a colonização, e fixou residência no estado de Alagoas. Hoje, mais de 2,3 milhões de brasileiros possuem o sobrenome.

 

7 — Alves

Assim como “Rodrigues”, “Alves” é um sobrenome patronímico, ou seja, derivado do nome do patriarca da família. Nesse caso, é a abreviação de “Álvares”, o “filho de Álvaro”. Possui dois significados aceitos: “o que tudo vigia, cuida, protege e defende” ou “guerreiro, defensor dos elfos”. No Brasil, a família “Alves” se estabeleceu no século 18, inicialmente nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Pará. Hoje, cerca de 2,2 milhões de brasileiros têm esse sobrenome.

 

8 — Pereira

“Pereira” pertence ao sobrenome de aproximadamente 2,2 milhões de brasileiros. Não existe consenso sobre sua origem, mas evidências históricas remontam ao português Rodrigo Gonçalves de Pereira, que recebeu como pagamento de seus serviços uma propriedade chamada Pereira, referência à plantação de peras que existia no local. Em 1534, Francisco Pereira Coutinho veio para o Brasil, após receber uma capitania hereditária na Bahia. A partir daí, o sobrenome se espalhou pelo país.

 

9 — Lima

De origem geográfica, “Lima” era usado para designar as comunidades que viviam à beira do Rio Lima, que nasce na Espanha e deságua ao Norte de Portugal. O primeiro a adotar o sobrenome foi Dom João Fernandes de Lima, conselheiro do Reino e patriarca de uma das principais famílias de Portugal, no século 15. No Brasil, os “Lima” se estabeleceram, inicialmente, no Paraná. Hoje, mais de 2 milhões de brasileiros possuem o sobrenome em seus registros.

 

10 — Gomes

Esse é outro exemplo de sobrenome patronímico, uma forma de criação de sobrenomes durante a Idade Média, que indicava a origem paterna da pessoa. “Gomes” significa “filho de Gomo”, nome abreviado de “Gomoarius” (homem de guerra). Possui as variações “Gomez” e “Gómez”, muito comuns em países hispânicos. No Brasil, os “Gomes” participaram do processo de colonização do nordeste. Hoje, cerca de 1,6 milhão de brasileiros possuem esse sobrenome.

 

11 — Ribeiro

Derivado da palavra “ripariu”, do latim, “Ribeiro” significa “rio pequeno” e era utilizado como alcunha, para designar as pessoas que viviam em regiões banhadas por rios. Dom Ramiro, último regente do reino de Leão, em Portugal, foi um dos primeiros membros da família “Ribeiro”. O nome se espalhou pelo mundo por meio das navegações portuguesas do século 16 e chegou ao Brasil com a caravana de Pedro Álvares Cabral. Hoje, mais de 1,5 milhão de brasileiros possuem esse sobrenome.

 

12 — Martins

Assim como em Portugal, “Martins” é um sobrenome muito comum no Brasil. De origem espanhola, deriva de “Martim” ou “Martino”, nome que vem do latim e significa “homem marcial, belicoso, guerreiro”. Em alguns livros, “Martim” também é apontado como diminutivo de “Marte”, o deus da guerra. No Brasil, a família “Martins” chegou logo após o início da colonização. Hoje, cerca de 1,5 milhão de brasileiros possuem o sobrenome em seus registros.


A origem dos 50 sobrenomes mais comuns do Brasil 

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Site mostra a origem do seu sobrenome e onde ele é popular

Através de um site você pode ver o número de pessoas que partilham do mesmo sobrenome que o seu 

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Vídeos:

ORIGEM DOS SOBRENOMES MAIS COMUNS NO BRASIL


10 sobrenomes mais populares no Brasil






Fonte:

https://super.abril.com.br/especiais/a-origem-dos-50-sobrenomes-mais-comuns-do-brasil/ 

https://forebears.io/pt/surnames

https://super.abril.com.br/mundo-estranho/a-origem-dos-15-sobrenomes-brasileiros-mais-populares/

https://www.revistabula.com/25839-a-origem-dos-12-sobrenomes-mais-comuns-do-brasil/


domingo, 17 de julho de 2022

Festival Folclórico de Parintins

 


Festival Folclórico de Parintins

O Festival Folclórico de Parintins é uma festa popular que acontece todos os anos no município brasileiro de Parintins, no interior do estado do Amazonas. O festival é reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

As apresentações, que começam na última sexta-feira do mês de junho e vão até o domingo, simbolizam uma disputa a céu aberto entre duas agremiações folclóricas, a do Boi Garantido (vermelho) e a do Boi Caprichoso (azul), que acontece no Centro Cultural de Parintins – mais conhecido como Bumbódromo, tem capacidade para 35 mil espectadores.  

São milhares de turistas do Brasil e do mundo que acompanham as toadas dos bois Garantido e Caprichoso. Na época do festival, a população de Parintins, de 115 mil habitantes, chega a quase dobrar. Segundo a prefeitura do município, cerca de 80 mil turistas visitam a cidade durante o festival.

O Festival Folclórico foi responsável pela divulgação de algumas músicas que ficaram famosas, como os hits Tic, Tic, Tac (1993), Vermelho (1996), Saga de Um Canoeiro (1995), Parintins Para o Mundo Ver (1997), Lamento de Raça (1996), Ritmo Quente (1997), entre outras.

História

A história dos bois de Parintins remete ao início do século XX, ainda que estes na época fossem grupos muito menores e menos estruturados, além de não possuírem qualquer registro formal. Antes da existência do festival, os bois Garantido e Caprichoso já alimentavam certa rivalidade entre si. No entanto, já existiam outros bois, precedentes ou contemporâneos a esses dois, tais como Diamantino, Ramalhete, Fita Verde, Corre-Campo, Mina de Ouro, Galante e Campineiro.

Oficialização do festival

Em 1965 aconteceu o primeiro Festival Folclórico de Parintins, criado por um grupo de amigos ligados à Juventude Alegre Católica (JAC), entre os quais Xisto Pereira, Jansen Rodrigues Godinho, Lucinor Barros e Raimundo Muniz, então presidente da entidade, além do padre Augusto, com o objetivo de arrecadar fundos para a construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. No primeiro ano, vinte e duas quadrilhas se apresentaram, sem a presença dos bois Caprichoso e Garantido.

Em 1966 os bois-bumbá foram convidados a participar do festival, e pela primeira vez ambos participaram juntos do festival. Nessa época, o critério estabelecido para definir o campeão foi o boi mais aplaudido pelos presentes. A partir de então, houve o acirramento da rivalidade entre os bois Garantido e Caprichoso.

No ano de 1975, a organização do Festival foi assumida pela Prefeitura de Parintins, mudando o local para o Centro Comunitário Esportivo.

Com o tempo, o festival ganhou relevância nacional, passando a ser objeto de atenção da mídia e considerado atração turística de Parintins. Após a transmissão em rede de televisão nacional, profissionais que trabalhavam na festa passaram a ser contratados a partir da década de 2000 para trabalhar nos carnavais de Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo.



Patrimônio Cultural do Brasil

Em 8 de novembro de 2018, o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins foi reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil na reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, que aconteceu em Belém do Pará.

 

“Concluímos finalmente que, acervos como o Complexo Cultural do Boi-Bumbá do Médio Amazonas e Parintins, por se constituírem em importante foco de resistência da cultura legitimamente nacional, não só tem relevância para o estado do Amazonas e para o país, mas se revestem de um valor universal como lição de liberdade e humanidade. E ratificando os demais pareceres constantes do processo, somos de parecer favorável à sua inscrição, no Livro de Registro das Celebrações, como Patrimônio Cultural do Brasil.”

— Luiz Phelipe de Carvalho Castro Andrês, Conselheiro do Conselho Consultivo do IPHAN.

Os modos de brincar o Boi são diferentes dependendo da região do país. Em cada contexto há variações e denominações próprias, além de ocorrer em distintas épocas do ano. Seja qual for a vertente, o folguedo se estabeleceu de forma marcante na região amazônica e, a cada apresentação, faz o coração dos brincantes e de quem assiste pulsar mais forte. Nessa região, ele ocorre com mais frequência durante os festejos juninos dos santos católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro.

Em 1982, o Caprichoso, em protesto por ter demorado a receber as verbas públicas (que o boi Garantido havia recebido da Prefeitura com bastante antecedência), decidiu não disputar o festival, alegando que a disputa seria injusta, dado o tempo restado para confecção de um boi que pudesse competir à altura. A prefeitura, para manter a disputa, convidou o boi Campineiro que, por não ter condições de disputa, recebeu o vice-campeonato simbólico naquele ano. Assim, o Boi Garantido consagrou-se pentacampeão (1980, 1981, 1982, 1983 e 1984).

Até 2005, o evento era realizado sempre nos dias 28, 29 e 30 de junho. Uma lei municipal mudou a data para o último fim de semana de junho.

Em 2017, os julgadores do festival sugeriram que este fosse ampliado e outros bois-bumbá pudessem ser incluídos na competição, com a criação de uma liga dos bois-bumbá.

Em 2022 o festival volta a ser realizado pelos moldes tradicionais e com a presença de público após dois anos sem poder ser realizado por conta da Pandemia de COVID-19.

Componentes do festival

O festival possui um total de 21 quesitos (itens), sendo que a maioria não possui ordem predeterminada de apresentação. As exceções são os três primeiros (apresentador, levantador de toadas e marujada ou batucada), além do último (encenação).

Os quesitos são: apresentador; levantador de toadas; marujada e batucada; ritual; porta-estandarte; amo do boi; sinhazinha da fazenda; rainha do folclore; cunhã poranga; boi bumbá (evolução); toada (letra e música); pajé; tribos indígenas; tuxauas; figuras típicas regionais; alegorias; lenda amazônica; vaqueirada; galera; coreografia, organização do conjunto folclórico.

Música

A música, que acompanha durante todo o tempo, é a toada acompanhada por um grupo de mais de 400 ritmistas.

Os dois Bois dançam e cantam por um período de duas horas e meia, com ordem de entrada na arena alternada em cada dia. As letras das canções resgatam o passado de mitos e lendas da floresta amazônica. Muitas das toadas incluem também sons da floresta e canto de pássaros.

Ritual

O ritual é o momento máximo da noite. Geralmente, acontece na parte final das apresentações e faz referências a mitos, lendas, tradições ou rituais tipicamente indígenas. E o Ritual geralmente trazem o Pajé tanto no Boi Caprichoso quanto no Boi Garantido e as vezes a Cunhã-Poranga.

Auto do Boi

O auto do boi mostra o motivo pelo qual surgiu o Festival, com a história de Pai Francisco e Mãe Catirina. Catirina queria a língua do Boi, pois estava grávida. Pai Francisco foi atrás da língua do boi mais bonito da fazenda. Conseguiu e o matou. O Amo do Boi, dono da fazenda, quando soube ficou consternado e mandou trazer o "criminoso" para saber por qual motivo ele fizera tal ato. O Amo mandou ainda trazer médicos para tentar reviver o Boi, mas nada adiantou. Foi então que, com a ajuda dos índios, chegou ao Pajé, que fez reviver o boi do patrão.

História do boi


Apresentador

Marca o centro do espetáculo, conduzindo o tema com sua voz. Precisa ter afinação, dicção, timbre e técnica de canto.

Levantador de toadas

Após o apresentador, o elemento seguinte é o levantador de toadas, que precede à batucada. Todas as músicas que fazem a trilha sonora das apresentações são interpretadas pelo levantador de toadas. Trata-se de uma figura importante, já que a técnica, a força e a beleza de sua interpretação não só valem pontos como ajudam a trazer à tona a emoção dos brincantes.

Amo do Boi

O Amo do Boi, com seu jeito caboclo, exalta a originalidade e a tradição do nosso folclore, fazendo soar o berrante e tirando o verso em grande estilo. É a chamada do Boi, que vem para bailar.

Sinhazinha da Fazenda

É a filha do dono da fazenda, representa a cultura europeia no boi. Precisa ter graça, desenvoltura, simplicidade, alegria, gingado, saudando o boi e o público.

Figuras Típicas Regionais e Lendas Amazônicas

Fazem aflorar os sentimentos de amor e paixão. Alegorias gigantes se movimentam. Coreografias e fantasias originais, com luz teatral e fogos, dão um brilho especial ao espetáculo. Ficção que retrata e ilustra a cultura e o folclore de um povo. Imaginação, envolvimento e encenação são importantes neste item.

Porta Estandarte

Representa o símbolo do Boi em movimento. Ela deverá ter garra, desenvoltura, elegância, alegria e sincronia de movimentos entre o bailado e o estandarte.

Cunhã Poranga

Representa a moça bonita, uma sacerdotisa, guerreira e guardiã. Expressa a força através da beleza. Deve possuir desenvoltura e incorporar a personagem

Rainha do Folclore

Representa a expressão do poder, pela manifestação popular. Deve possuir graça, movimentos com desenvoltura, incorporação, indumentária.

Boi-Bumbá Evolução

É o símbolo cultural da manifestação popular. É a chegada do Garantido e do Caprichoso, a estrela guardiã da floresta, e o coração da festa, É a evolução do negro da América e do boi do povão, a cênica que deve conter a impressão de um movimento de um, boi real, soltar 'fumaça' pelo nariz que na verdade é farinha de trigo e não é obrigatório, mas tem que levantar a galera.

Pajé

O Pajé é o senhor da cênica feitiçaria e representa a cultura indígena na área.

Tribos Indígenas

Apresentação de um agrupamento nativo da Amazônia. Considera-se: sincronia de movimentos, fidelidade às raízes, cores, expressões cênicas, formas de dançar e movimentos originais.

Galera

A galera dá um show à parte. Enquanto um Boi se apresenta, sua galera participa com todo entusiasmo. Seu desempenho também é julgado. Do outro lado, a galera do contrário (adversário) não se manifesta, ficando no mais absoluto silêncio. Um torcedor jamais fala o nome do outro Boi, e usa apenas a palavra "contrário" quando quer se referir ao opositor. São proibidos vaias, palmas, gritos ou qualquer outra demonstração de expressão quando o adversário se apresenta.

Jurados

Os jurados, em número de 6, são sorteados na véspera do Festival e todos vêm de estados que façam parte de outras regiões do país, que não a Região Norte. Requisito é ser estudioso da arte, da cultura e do folclore brasileiro.

Na cultura popular

Os bois de Parintins têm hoje reconhecimento mundial como uma das principais festas culturais brasileiras. A festividade, que traz à arena simbolismos regionais que representam os povos indígenas e o homem ribeirinho nortista, se popularizou e tem atraído pessoas do mundo inteiro para a "Ilha Tupinambarana", nome pelo qual a cidade de Parintins ficou conhecida. De forma massificada, os bois são muito populares no Amazonas e no Pará (principalmente a Oeste). Nessas regiões, as agremiações folclóricas contam com grandes torcidas que criam seus consulados e formam grandes caravanas para o festival. Os bois também são responsáveis pelo maior evento festivo de Manaus, o Boi Manaus, onde milhares se reúnem no Sambódromo da cidade para se divertir ao ritmo regional. A rivalidade tem ares esportivos e se equiparada ao futebol, seria uma das maiores do país. Em Parintins, a cidade se divide ao meio pelos dois bois e essa rivalidade se alastra para outros municípios da região, incluindo Manaus.

As músicas dos bois são lançadas em CD e DVD, o que gera competição para saber qual dos bois vende mais. Em muitas campanhas políticas nas cidades da Região Norte, as músicas mais populares dos bumbás são convertidas em jingles que transformam as campanhas eleitorais em grandes festas nessas localidades.



Festival no ano de 2022


https://youtu.be/Wi6L6xTxMKI


https://youtu.be/-hjt_S7emow


Fonte:

https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2022/06/25/garantido-e-caprichoso-se-apresentam-na-primeira-noite-do-festival-de-parintins-2022.ghtml 

https://informemanaus.com/2022/estreantes-novos-itens-sao-apostas-de-caprichoso-e-garantido-para-o-festival-de-parintins-2022/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Festival_Folcl%C3%B3rico_de_Parintins

https://pt.wikipedia.org/wiki/Portal:Patrim%C3%B4nio_cultural

https://portaldoamazonas.com/caprichoso-abre-segunda-noite-do-festival-de-parintins-exaltando-lutas-de-povos-amazonidas

https://bossajazzbrasil.com/turismo-festival-de-parintins-retorna-em-2022/





quarta-feira, 6 de julho de 2022

Jogo do bicho

 


Jogo do bicho: como surgiu, como funciona e o que a lei diz sobre

Todo mundo já ouviu falar em Jogo do Bicho, mas será que você sabe do que se trata? Reunimos tudo que você precisa saber sobre o tema

Quem nunca ouviu falar do jogo do bicho, vem que hoje é o seu dia de aprender e conhecer um dos jogos mais famosos do Brasil. Bem, por mais que ele seja bastante popular entre brasileiros, ele é um jogo ilegal. Ou seja, quem joga, joga nas escondidas.

Por isso, caso o governo descubra o local que colabora com tal jogo, o “bicheiro”, ou seja, a pessoa quem cuida do jogo, será preso. De acordo com a lei, esse tipo de aposta é uma infração penal, uma contravenção, que tem menor gravidade que um crime. Portanto, ele é um jogo que não tem autorização da União.

Em vista disso, o jogo não paga impostos. Além disso, a pessoa que jogar e ganhar por exemplo, não tem garantia do seu prêmio. Logo, por ser ilegal, o ganhador não pode recorrer às autoridades.

Ficou curioso de como funciona e como surgiu esse tal jogo do bicho? Continue com a gente então.

História do jogo do bicho

Se você chutou que o jogo do bicho tem alguma relação com zoológicos, acertou.

Primeiramente, seu criador, o barão João Batista Viana Drummond, foi também o fundador do Jardim Zoológico do Rio de Janeiro. Em 1892, com o intuito de impedir de fechar o zoológico, ele decidiu criar um jogo para que os clientes pudessem participar e contribuir ao mesmo tempo com o lucro do local.

Entretanto, o jogo funcionava mais ou menos como ainda funciona hoje. Em vista disso, o cliente comprava um ingresso, o qual vinha estampado com um dos 25 animais estampados. Sendo assim, o cliente que tivesse saído com o bilhete do animal do sorteio ganhava.

Portanto, a pessoa que fosse sorteada, iria ganhar até vinte vezes o valor que pagou pelo bilhete. E com isso, o jogo virou febre no Rio de Janeiro. Porém, três anos depois de sua criação, em 1895, proibiram o jogo, por considerarem desde então um jogo de azar.



Como funciona o jogo

Primeiramente, esse jogo não tem uma centralização de poder. Ou seja, cada banca tem o seu próprio bicheiro. Em vista disso, cada estado tem um tanto x de bicheiros, com administrações próprias, os quais realizam os sorteios dos números e fornecem os resultados equivalente as apostas.

Contudo, os dois sorteios semanais da Loteria Federal são válidos para quase todas as bancas de jogo do bicho no Brasil, substituindo somente os horários dos sorteios locais. Enquanto, a divulgação dos resultados é feita pela internet ou rádios.

 

Em seguida, por mais que muita gente não ache a ligação do jogo do bicho com a Loteria Federal, não é endossada e muito menos autorizada pela Caixa Econômica Federal. Porém, os bicheiros de diversas partes do país utilizam o sorteio da Loteria Federal por terem os mesmos princípios de sorteio do jogo do bicho.

Apostas do Jogo do Bicho?

Primeiramente, para você entender melhor, ao todo são 25 animais. Entretanto, cada um tem uma sequência de 4 números, e essa sequência vai de ordem alfabética, começando então pelo avestruz.

Em seguida, o jogador irá escolher um dos 25 bichos. E não se esqueça, que você tem que observar além das dezenas, pode também conter outros dois números do milhar. Para entender melhor, a aposta pode ser feita de várias maneiras. Iremos explicar de forma crescente cada tipo de aposta.

Os 3 tipos de apostas:

1º- Jogo de Grupo Simples: É também o mais clássico. Esse tipo de aposta o jogador escolhe o animal, e aposta naquele grupo do animal, por exemplo, se você escolher o macaco, você irá torcer para o número 17. Basicamente então, esse tipo de aposta o jogador observa primeiramente pelos dois números finais.

2º- Jogo de dezena: Essa aposta você irá escolher dois conjuntos de dezena, assim como também em grande maioria das vezes, se escolhe, a aposta que a dezena irá se encontrar entre os cinco premiados.

3º- Jogo de milhar: Essa aposta já é considerada como a mais cara. Na maioria das vezes você paga 4 mil reais para jogar. E nessa aposta você escolhe e decide exatamente os 4 números, e a aposta que ele vai estar entre os cinco do sorteio.


Entretanto, os maiores 
prêmios são de três mil vezes o valor apostato. Por exemplo: se você aposta R$ 1,00 no milhar e se seu número for sorteado, você ganha R$ 3 mil. Enquanto o menor prêmio é 18 vezes o valor apostado, logo, se você aposta R$ 1,00 por exemplo, você ganha R$ 18,00.

Por que é ilegal?

O jogo do bicho é proibido pela lei brasileira número 3.688 e considerado contravenção juntamente com jogos de azar, atividade de cassino e exploração não autorizada de loteria. Desde o anúncio da proibição do bicho em 1941, os bicheiros, controladores dos pontos de aposta, se organizaram e formaram uma cúpula que se relaciona por meio de propina e financiamento de projetos e campanhas com o governo, justiça e polícia. Essa relação, que cresceu e se tornou cada vez mais comum, é o que permitiu que o jogo do bicho chegasse até os dias de hoje em pleno funcionamento. Por conta disso, hoje o bicho é considerado não só contravenção, mas crime de formação de quadrilha e corrupção. Na década de 70, o jogo do bicho no Rio de Janeiro estava organizado praticamente como uma empresa em expansão. E, tendo arrecadado grandes quantias de dinheiro, investiram, entre outras coisas, na compra de escolas de samba e no controle do carnaval, por meio da liga das escolas de samba. Além de um negócio lucrativo, o carnaval é utilizado para "lavar" o dinheiro ilegal conseguido com o jogo por meio de notas superfaturadas.

O jogo retratado em livros e músicas

O jogo do bicho faz parte do imaginário e da cultura brasileira, o jogo está presente na vida cotidiana, assim, é algo habitual de encontrar menções dele dentro das expressões artísticas de produções brasileiras. Como por exemplo:

“Os bichos de Vila Isabel, mansos ou bravios, fazem ganhar dinheiro depressa, e sem trabalho, tanto como fazem perdê-lo, igualmente depressa e sem trabalho, tudo sem trabalho, não contando a viagem de bonde, que é longa, vária e alegre.” Assim escrevia Machado de Assis, em 1895, em crônica no jornal A Semana. No mesmo ano, o poeta Olavo Bilac era bem mais moralista: “Hoje, no Rio de Janeiro, o jogo é tudo. Não há criados, porque todos os criados passam o dia a comprar bilhetes de bichos. Não há conforto nas casas, porque as famílias gastam todo o dinheiro do mês no elefante ou no cachorro. Ninguém trabalha! Todo o mundo joga...”.


(Aqui comigo é de 1 a 25)

(Vamos nessa)

Oh bicheiro, qual é o grupo do talão?

Oh bicheiro, qual é o grupo do talão?

Quero ver a minha sorte na palma da tua mão

Quero ver a minha sorte na palma da tua mão

Oh bicheiro,

Oh bicheiro, qual é o grupo do talão?

Oh bicheiro, qual é o grupo do talão?

Quero ver a minha sorte na palma da tua mão

Quero ver a minha sorte na palma da tua mão

O 1 deu no Avestruz, começou a jogação

E o 2 já deu na águia, que é bicho do patrão

Mas o 3 no burro, quando empaca é turrão

O 4 na borboleta, quando voa faz verão

O 5 deu no cachorro, tem apelido de cão

E o 6 já deu na cabra, que dá leite pro Cristão

O 7 deu no carneiro, que é bicho de São João

Refrão

O 8 deu no camelo, bicicleta de Sultão

E o 9 deu na cobra, que dá bote a traição

E o 10 deu no coelho, perto do capim melão

O 11 deu no cavalo, se não marcha é trotão

O 12 deu no elefante, com sua tromba no chão

Mas o 13 deu no galo, relógio de pai João

Refrão

O 14 deu no gato, todos sabem que é ladrão

O 15 no jacaré, faz sua vida no chão

16 já deu no rei, todos sabem que é leão

17 no macaco, pula de galho no chão

O 18 deu no porco, dentro de um caldeirão

Refrão

19 no dourado, todos sabem que é pavão

O 20 deu no peru, pra morrer toma pifão

21 já deu no touro, amarrado no moirão.

22 já deu no tigre, anda de pijama não

23 já deu no urso, é um abraço de um irmão

24 no veado, todos sabem que é bichão

25 deu na vaca, e terminou a coleção

Oh bicheiro,

Refrão

Faço um milhar invertido, cercado por todos os lados

Se a letra for singela, faço um Duque combinado

Oh bicheiro,

Refrão

(E aí Gugu, sujou compadre?)

(Engole a isca)

(Vai devagar, quem joga com os olhos)

(Só ganha remela)





Fonte:

https://stories.oglobo.globo.com/origem-jogo-bicho/index.html

https://segredosdomundo.r7.com/jogo-do-bicho/

http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT954023-1716,00.html



sexta-feira, 1 de julho de 2022

Português é o único idioma em que se pode escrever um texto só com palavras começando por “p” - Texto colaborativo

 


Português é o único idioma em que se pode escrever um texto só com palavras começando por “p”

Pedro Pereira Pinto, pequeno pintor português, pintava portas, paredes, portais. Porém, pediu para parar porque preferiu pintar panfletos. Partindo para Piracicaba, pintou prateleiras para poder progredir. Posteriormente, partiu para Pirapora. Pernoitando, prosseguiu para Paranavaí, pois pretendia praticar pinturas para pessoas pobres. Porém, pouco praticou, porque Padre Paulo pediu para pintar panelas, porém posteriormente pintou pratos para poder pagar promessas.

Pálido, porém perseverante, preferiu partir para Portugal para pedir permissão para papai para permanecer praticando pinturas, preferindo, portanto, Paris. Partindo para Paris, passou pelos Pirineus, pois pretendia pintá-los. Pareciam plácidos, porém, pesaroso, percebeu penhascos pedregosos, preferindo pintá-los parcialmente, pois perigosas pedras pareciam precipitar-se principalmente pelo Pico, porque pastores passavam pelas picadas para pedirem pousada, provocando provavelmente pequenas perfurações, pois, pelo passo percorriam, permanentemente, possantes potrancas.

Pisando Paris, pediu permissão para pintar palácios pomposos, procurando pontos pitorescos, pois, para pintar pobreza, precisaria percorrer pontos perigosos, pestilentos, perniciosos, preferindo Pedro Paulo precaver-se. Profundas privações passou Pedro Paulo. Pensava poder prosseguir pintando, porém, pretas previsões passavam pelo pensamento, provocando profundos pesares, principalmente por pretender partir prontamente para Portugal. “Povo previdente!”, pensava Pedro Paulo. “Preciso partir para Portugal porque pedem para prestigiar patrícios, pintando principais portos portugueses”.

Passando pela principal praça parisiense, partindo para Portugal, pediu para pintar pequenos pássaros pretos. Pintou, prostrou perante políticos, populares, pobres, pedintes. “Paris! Paris!”, proferiu Pedro Paulo. “Parto, porém, penso pintá-la permanentemente, pois pretendo progredir”. Pisando Portugal, Pedro Paulo procurou pelos pais, porém, papai Procópio partira para Província. Pedindo provisões, partiu prontamente, pois precisava pedir permissão para papai Procópio para prosseguir praticando pinturas. Profundamente pálido, perfez percurso percorrido pelo pai. Pedindo permissão, penetrou pelo portão principal. Porém, Papai Procópio puxando-o pelo pescoço proferiu: “Pediste permissão para praticar pintura, porém, praticando, pintas pior. Primo Pinduca pintou perfeitamente prima Petúnia. Por que pintas porcarias?”. “Papai”, proferiu Pedro Paulo, “pinto porque permitiste, porém, preferindo, poderei procurar profissão própria para poder provar perseverança, pois pretendo permanecer por Portugal”. Pegando Pedro Paulo pelo pulso, penetrou pelo patamar, procurando pelos pertences, partiu prontamente, pois pretendia pôr Pedro Paulo para praticar profissão perfeita: pedreiro! Passando pela ponte, precisaram pescar para poderem prosseguir peregrinando. Primeiro, pegaram peixes pequenos, porém, passando pouco prazo, pegaram pacus, piaparas, pirarucus. Partiram pela picada próxima, pois pretendiam pernoitar pertinho, para procurar primo Péricles primeiro.

Pedro Pereira Pinto, pedreiro profissional, penava porque preferia pintar, porém punha pedras para procurar paz pessoal.

Parabenizou por poder pausar para pegar primo Péricles.

Pernoitaram pelo Páramo paradisíaco perto, para partir para Paraná. Pedro Pereira Pinto pediu para poder pagar peras para primo Péricles.

Fonte: internet, autor desconhecido 

Esse é um texto colaborativo, assim que os convido a deixar a sua aportação seguindo a temática.


Chegou o verão


Chegou o Verão

Luís Fernando Veríssimo


Verão também é sinônimo de pouca roupa e muito chifre, pouca cintura e muita gordura, pouco trabalho e muita micose.

Verão é picolé de Kisuco no palito reciclado, é milho cozido na água da torneira, é coco verde aberto pra comer a gosminha branca.

Verão é prisão de ventre de uma semana e pé inchado que não entra no tênis.

Mas o principal ponto do verão é.... A praia!

Ah, como é bela a praia.

Os cachorros fazem cocô e as crianças pegam pra fazer coleção. Os casais jogam frescobol e acertam a bolinha na cabeça das véias. Os jovens de jet ski atropelam os surfistas, que por sua vez, miram a prancha pra abrir a cabeça dos banhistas.

O melhor programa pra quem vai à praia é chegar bem cedo, antes do sorveteiro, quando o sol ainda está fraco e as famílias estão chegando. Muito bonito ver aquelas pessoas carregando vinte cadeiras, três geladeiras de isopor, cinco guarda-sóis, raquete, frango, farofa, toalha, bola, balde, chapéu e prancha, acreditando que estão de férias.

Em menos de cinquenta minutos, todos já estão instalados, besuntados e prontos pra enterrar a avó na areia.

E as crianças? Ah, que gracinhas! Os bebês chorando de desidratação, as crianças pequenas se socando por uma conchinha do mar, os adolescentes ouvindo walkman enquanto dormem.

As mulheres também têm muita diversão na praia, como buscar o filho afogado e caminhar vinte quilômetros pra encontrar o outro pé do chinelo.

Já os homens ficam com as tarefas mais chatas, como furar a areia pra fincar o cabo do guarda-sol. É mais fácil achar petróleo do que conseguir fazer o guarda-sol ficar em pé.

Mas tudo isso não conta, diante da alegria, da felicidade, da maravilha que é entrar no mar! Aquela água tão cristalina, que dá pra ver os cardumes de latinha de cerveja no fundo. Aquela sensação de boiar na salmoura como um pepino em conserva.

Depois de um belo banho de mar, com o rego cheio de sal e a periquita cheia de areia, vem àquela vontade de fritar na chapa. A gente abre a esteira velha, com o cheiro de velório de bode, bota o chapéu, os óculos escuros e puxa um ronco bacaninha.

Isso é paz, isso é amor, isso é o absurdo do calor!!!!! Mas, claro, tudo tem seu lado bom.

E à noite o sol vai embora. Todo mundo volta pra casa tostado e vermelho como mortadela, toma banho e deixa o sabonete cheio de areia pro próximo. O shampoo acaba e a gente acaba lavando a cabeça com qualquer coisa, desde creme de barbear até desinfetante de privada.

As toalhas, com aquele cheirinho de mofo que só a casa da praia oferece. Aí, uma bela macarronada pra entupir o bucho e uma dormidinha na rede pra adquirir um bom torcicolo e ralar as costas queimadas.

O dia termina com uma boa rodada de tranca e uma briga em família. Todo mundo vai dormir bêbado e emburrado, babando na fronha e torcendo, pra que na manhã seguinte, faça aquele sol e todo mundo possa se encontrar no mesmo inferno tropical...

 

Luiz Fernando Veríssimo

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Pronomes Possessivos



Os pronomes possessivos no português dependerão da pessoa gramatical a que se refere; o gênero e o número concordam com o objeto possuído. Por exemplo:

    Eu usei a minha escova de dentes

Pessoa do singular

Pronome Possessivo

Eu

Meu, Meus / Minha, Minhas

Tu

Teu, Teus / Tua, Tuas

Você

Seu, Seus / Sua, Suas

Ele / Ela

Seu, Seus / Sua, Suas

Dele / Dela*

 

Pessoa do plural

Pronome Possessivo

Nós

Nosso, Nossos / Nossa, Nossas

Vós

Vosso, Vossos / Vossa, Vossas

Vocês

Seu, Seus / Sua, Suas / De vocês*

Eles / Elas

Seu, Seus / Sua, Suas

Deles / Delas*

 *Forma mais utilizada no Brasil

↦↦ O uso de artigos definidos anteriores aos pronomes possessivos é opcional. Ficando à critério de quem escreve. Muitas vezes se utiliza para dar ênfase ao objeto possuído.

Veja alguns exemplos:

  • Minha irmã é muito preguiçosa. // A Minha irmã é muito preguiçosa.
  • O balconista não entendeu minha pergunta. // O balconista não entendeu a minha pergunta.
  • Meu pai é piloto. // O meu pai é piloto.


Em alguns casos, é possível que os pronomes pessoais oblíquos tenham um valor igual aos pronomes possessivos. 

Veja alguns exemplos:

  • O sol banhou-te a pele. (O sol banhou a sua pele)
  • Peguei-lhe o braço. (Peguei o seu braço)

↦ Seu João

O termo “seu” não é um pronome possessivo. Ele é uma alternativa fonética para o termo “senhor”. Utilizado como forma de tratamento e muitas vezes de afeto. A variante feminina seria “dona”

↦O pronome possessivo pode exercer outras funções que não sejam de posse:

Vejamos alguns exemplos:

  •         Oi, meu querido, como está? (carinho)
  •         Pode deixar, minha senhora, que eu resolvo tudo. (respeito)
  •         Acho que aquele castelo tem seus 100 anos. (cálculo aproximado)
  •         Olha aqui, seu miserável, não fuja! (ofensa)
  •         Fui à casa do seu Manoel para visitá-lo. (senhor)

Vamos Praticar

 1-     Circule os pronomes possessivos e identifique-os:

 O lixo – Luís Fernando Veríssimo

Encontram-se na área de serviço. Cada um com seu pacote de lixo. É a primeira vez que se falam.
– Bom dia…
– Bom dia.
– A senhora é do 610.
– E o senhor do 612
– É.
– Eu ainda não lhe conhecia pessoalmente…
– Pois é…
– Desculpe a minha indiscrição, mas tenho visto o seu lixo…
– O meu quê?
– O seu lixo.
– Ah…
– Reparei que nunca é muito. Sua família deve ser pequena…
– Na verdade sou só eu.
– Mmmm. Notei também que o senhor usa muito comida em lata.
– É que eu tenho que fazer minha própria comida. E como não sei cozinhar…
– Entendo.
– A senhora também…
– Me chame de você.
– Você também perdoe a minha indiscrição, mas tenho visto alguns restos de comida em seu lixo. Champignons, coisas assim…
– É que eu gosto muito de cozinhar. Fazer pratos diferentes. Mas, como moro sozinha, às vezes sobra…
– A senhora… Você não tem família?
– Tenho, mas não aqui.
– No Espírito Santo.
– Como é que você sabe?
– Vejo uns envelopes no seu lixo. Do Espírito Santo.
– É. Mamãe escreve todas as semanas.
– Ela é professora?
– Isso é incrível! Como foi que você adivinhou?
– Pela letra no envelope. Achei que era letra de professora.
– O senhor não recebe muitas cartas. A julgar pelo seu lixo.
– Pois é…
– No outro dia tinha um envelope de telegrama amassado.
– É.
– Más notícias?
– Meu pai. Morreu.
– Sinto muito.
– Ele já estava bem velhinho. Lá no Sul. Há tempos não nos víamos.
– Foi por isso que você recomeçou a fumar?
– Como é que você sabe?
– De um dia para o outro começaram a aparecer carteiras de cigarro amassadas no seu lixo.
– É verdade. Mas consegui parar outra vez.
– Eu, graças a Deus, nunca fumei.
– Eu sei. Mas tenho visto uns vidrinhos de comprimido no seu lixo…
– Tranquilizantes. Foi uma fase. Já passou.
– Você brigou com o namorado, certo?
– Isso você também descobriu no lixo?
– Primeiro o buquê de flores, com o cartãozinho, jogado fora. Depois, muito lenço de papel.
– É, chorei bastante, mas já passou.
– Mas hoje ainda tem uns lencinhos…
– É que eu estou com um pouco de coriza.
– Ah.
– Vejo muita revista de palavras cruzadas no seu lixo.
– É. Sim. Bem. Eu fico muito em casa. Não saio muito. Sabe como é.
– Namorada?
– Não.
– Mas há uns dias tinha uma fotografia de mulher no seu lixo. Até bonitinha.
– Eu estava limpando umas gavetas. Coisa antiga.
– Você não rasgou a fotografia. Isso significa que, no fundo, você quer que ela volte.
– Você já está analisando o meu lixo!
– Não posso negar que o seu lixo me interessou.
– Engraçado. Quando examinei o seu lixo, decidi que gostaria de conhecê-la. Acho que foi a poesia.
– Não! Você viu meus poemas?
– Vi e gostei muito.
– Mas são muito ruins!
– Se você achasse eles ruins mesmo, teria rasgado. Eles só estavam dobrados.
– Se eu soubesse que você ia ler…
– Só não fiquei com eles porque, afinal, estaria roubando. Se bem que, não sei: o lixo da pessoa ainda é propriedade dela?
– Acho que não. Lixo é domínio público.
– Você tem razão. Através do lixo, o particular se torna público. O que sobra da nossa vida privada se integra com a sobra dos outros. O lixo é comunitário. É a nossa parte mais social. Será isso?
– Bom, aí você já está indo fundo demais no lixo. Acho que…
– Ontem, no seu lixo…
– O quê?
– Me enganei, ou eram cascas de camarão?
– Acertou. Comprei uns camarões graúdos e descasquei.
– Eu adoro camarão.
– Descasquei, mas ainda não comi. Quem sabe a gente pode…
– Jantar juntos?
– É.
– Não quero dar trabalho.
– Trabalho nenhum.
– Vai sujar a sua cozinha?
– Nada. Num instante se limpa tudo e põe os restos fora.
– No seu lixo ou no meu?